quinta-feira, 10 de setembro de 2009

CICLOVIAS

Antes de dormir penso em você
Pra ficar em paz
E quando a saudade é demais
Eu preencho com teus conteúdos
E alcanço o céu dos justos
Nos teus braços, a magia
Em tuas mãos, alegria
E nos dedos a grande arte
De compor sinfonias
Com harpas e violinos
Trompete, piano e címbalos
Às vezes, algo mais simples
Um sambinha de raiz, desses que aparecem
De repente, quando a gente menos espera
E nos toma espontaneamente
Outras noites, compomos ciclovias espirais
Alçamos vôo e ficamos assim cantando juntas
No ritmo ardente das estrelas.

Joyce Pires, em 12 julho 2009
do livro Lógica e Tal, letra da música 403
composta em 31 julho 2009.

CENTELHA (17 JULHO 2009)

Às vezes tenho a impressão obscena
de que a vida é mesmo feita de cenas
pura imaginação, delírio, magias
e então caio em mim e tão fundo
que um sentido se deixa ver no mundo
e isso é outra cena, mas com significado
O que vivo hoje é fruta
dos anos duros
daquilo que não foi dito
e fermentou como uva
no fogo úmido
no ritmo das estrelas
para hoje cintilar
coriscos impulsionantes
rebrilhamentos dos teus olhos
no centro do ser
E a minha vida se assemelha
na centelha que nasceu em você.


(Lógica e Tal - Joyce Pires)

BE E (15 maio 1997)

O espírito é um operário
um trabalhador especial
e a natureza
é a sua matéria-prima :
com ela ele cinzela
favos de mel.


(Tântricos Poemas – Joyce Pires)

A MORCEGA (30 junho 2009)

A morcega deixa vestígios e sementes no chão do hall
A morcega uiva um grito sem som
A morcega alça vôo com asas de patas
A morcega se espanta com luz
Mas, como ? se é cega...
O berro da morcega não se ouve
Na luz que ela não pode ver :
Porque a morcega escuta no que não pode ver
O eco do seu ser.
A morcega vive no escuro, dona da noite sem lua
Come seus frutos e ama no escuro
Flutua entre as estrelas sem vê-las
Bailarina ecológica
A morcega.



(Lógica e Tal - Joyce Pires – letra da
Música 405, em 06 agosto 2009)

A HORA DA COLHEITA (04 abril 2009)

Uma formação social, ou melhor, uma formação econômico-social é a totalidade de relações de produção determinadas, cujo desenvolvimento é um processo histórico natural. Não é uma “sociedade” ou um agregado mecânico de indivíduos que está sujeito a mudanças segundo arbítrio de autoridades ou governos ou de interesses particulares, que nasce e se transforma ao acaso... Uma formação social se desenvolve de acordo com certas leis materiais, num processo que é histórico e dialético, ou seja, de acordo com as leis da luta de classes e da revolução. Isto que Karl Marx chamou de lei de desenvolvimento da história humana - que é a mutabilidade das formações sociais.
Em Para a Crítica da Economia Política, Marx nos diz assim : “Na produção social da sua vida, os homens entram em determinadas relações necessárias, independentes da sua vontade, relações de produção que correspondem a uma determinada etapa do desenvolvimento das suas forças produtivas materiais”. A totalidade destas relações de produção forma a estrutura econômica da sociedade, a base real sobre a qual se ergue uma superestrutura jurídica e política e à qual correspondem determinadas formas da consciência social. O modo de produção da vida material é que condiciona o processo da vida social, política e espiritual. Não é a consciência dos homens que determina o seu ser, mas, inversamente, o seu ser social que determina a sua consciência. Numa certa etapa do seu desenvolvimento, as forças produtivas materiais da sociedade entram em contradição com as relações de produção existentes, ou, o que é apenas uma expressão jurídica delas, com as relações de propriedade no seio das quais se tinham até aí movido. De formas de desenvolvimento das forças produtivas, estas relações transformam-se em grilhões das mesmas. Ocorre então uma época de revolução social. (Zur Kritik der politischem ökonomie (1858) – Karl Marx)

Nessa contradição entre forças produtivas materiais e relações de produção capitalistas está a possibilidade de mudança. A dialética não é um processo de evolução reformista.
Trata-se da organização dos trabalhadores em classe revolucionária e a conquista da democracia.
No momento em que compreendemos que as condições objetivas da transformação estão maduras só o que precisamos fazer é... colher os frutos.
As relações de produção capitalistas, dominantes hoje, no mundo, estão detendo o desenvolvimento completo da humanidade. Não vamos deixar os frutos apodrecerem; não é mesmo ?!
O mundo tem fome, de alimentos, de justiça e de liberdade.
E essa colheita é obra para o conjunto daqueles povos que estão com fome. Então,
UNI - VOS !!

(Diário do Bardo – Joyce Pires)

Em Salinas outra vez


Em Salinas, sem luz elétrica

Sem água encanada

A casa destroçada pelos ladrões

Mas com a comunidade (sem o Estado)

Com certeza vou recomeçar a viver aqui

Mais uma vez

Cumprindo o Dharma.

É quase como em 72

Quando comecei a construir a casa

E o galpão, agora no chão...

Um novo ciclo, retelhar a casa

Sem as heras

Recuperar o fogão à lenha

Pintar as paredes, caiar

Consertar a varanda detrás

Que desabou o telhado

Limpar a casa

E secar o piso

E viver em liberdade

Sem os tiranos e suas manias !

Diário do Bardo - Joyce Pires – 30 dezembro 2008

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

O Amor

O amor não tem oposto. O contrário do ódio é a indiferença. O amor é uma dupla negação. O amor é síntese. (Buda Vajrasambhava)

Quetzal (29 julho 2009)

Divino Quetzal
maia
ave trogonídea resplendente
resplandecente
elevando seu penacho reluzente!
Sagrado Quetzalcoatl
meu chocolate, colorido e brilhante
maravilhoso rabilongo americano
Tuas plumas múltiplas e cintilantes
em adoráveis sínteses
circulando em magníficas espirais
hão de nos guiar, quando chegar a Hora
Divino Quetzal tropical
ave e serpente sagrada emplumada
supremo fundamento do Tao
na paisagem central, meu curiango
rutilante DiAmante.

(do livro Lógica e Tal - de Joyce Pires)l

Diário do BARDO (28 março 2009)

Diário de Bordo - o livro que começou a bordo e acabou no bardo.

O Diário de Bordo,a bordo do barkfly, é a narrativa, de um veículo especial, que me permite ver o real.
O Diário de Bardo é o canto de um bardo celta, deste ário, esse ariano, adorador de Ariadne, esse cantor de Ariadne.
O Diário do Bardo é o testemunho de uma estadia no estágio intermediário entre a morte e o renascimento, nessa espécie de reciclagem, um casamento do simbólico com a simbiose.

Joyce Pires

O socialismo é obra de quem acredita nele (31 março 2009)

Na dimensão social, o realismo consiste de relações sociais, históricas. Não existe a realidade em si mesma, em si e por si. A realidade existe apenas em relação histórica com os seres humanos que a modificam. Isto é a visão realista da realidade.
Objetivo significa "humanamente objetivo", que é "historicamente subjetivo". Não há uma "realidade objetiva" do mundo. É óbvio que o mundo exterior existe, é real, independentemente de mim mesma, do sujeito... O senso comum, condicionado pelas ideologias religiosas, crê que o homem já encontrou o mundo pronto, já que ele foi criado por Deus - antes da criação do homem... por isso, os homens pensam que o mundo exterior é objetivamente real. A concepção historicamente subjetiva entende que o mundo é humanamente objetivo e nisto está a subjetividade: objetivo significa, aqui , o "universal subjetivo" - o homem conhece objetivamente na medida em que o conhecimento é real para todos os seres humanos, historicamente reunidos, unificados, numa cultura unitária, consequente de um processo de unificação que supera as contradições internas da sociedade humana. Essa unidade do mundo consiste em sua materialidade, em sua concretude histórica ou objetiva. O espírito é um ponto de chegada: alcançar a unificação cultural do gênero humano. Esta é a visão realista.
PRAXIS é ação histórica, consequente de uma consciência teórica e crítica - que possibilita a direção orgânica da classe trabalhadora para realizar a hegemonia e recriar o mundo.
O realismo é a síntese. No processo de transformação social, histórico e dialético, a primeira negação do idealismo é o materialismo. A segunda negação implica um salto de qualidade: o realismo. Isto é a dialética. A catarse é o salto dionisíaco.
O realismo histórico e dialético é uma nova concepção do mundo, uma nova filosofia ou weltanschauungen. É uma filosofia crítica e coerente; a filosofia da prática revolucionária, a filosofia da classe trabalhadora.
O realismo é a síntese, que nega duas vezes o idealismo burguês. É um processo de purificação.A catarse é a passagem do momento econômico ao momento ético-político, a elaboração superior da estrutura em superestrutura na consciência dos homens. É a passagem do objetivo ao subjetivo e da necessidade à liberdade. A mesma força exterior que subjuga o ser humano, assimilando-o e tornando-o passivo, se transforma em instrumento de libertação, criando uma nova ética e uma nova política e o indivíduo torna-se sujeito e objeto, com os seus carecimentos radicais; uma unidade, no sentido de uma transformação da sociedade. O processo catártico coincide com a realização das sínteses que resultam do desenvolvimento dialético.
O socialismo é obra de quem acredita em si mesmo; de quem acredita nele.