O BRASIL (29 JULHO 2009)
Hoje amanheceu, depois da ventania, um sudoeste dos bons
E então a gente retranca a vela e alça o vôo leve sobre as ondas:
O Brasil, terra do pau vermelho, está com alguns galhos no primeiro mundo
E só o que peço é que se fincarmos as raízes nessa múltipla tecelagem
Que nos seja permitido não sermos nunca ! imperialistas !
E, quando lá chegarmos, possamos realizar a grande mudança,
A transformação das relações sociais de produção
E sermos capazes de contribuir para o Socialismo :
Cooperação e equidade, solidariedade
Terra, pão e liberdade
Amor, Paz
Equanimidade.
(Lógica e Tal - Joyce Pires)
Diário de Bordo é um livro de insights dialéticos, iniciado em 06 março 2008, crônicas, ensaios, poesias.
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
UM FLUXO CRIATIVO (03 ABRIL 2009)
Transcender a imagem significa ir além da ideologia materialista e ver o que a matéria realmente é : energia e consciência.
Essa visão é o conhecimento da inseparabilidade entre verdade absoluta e verdade relativa.
Esse é o momento da síntese entre o idealismo e o materialismo, o momento superior no desenvolvimento dialético da filosofia da prática revolucionária, que fará da Liberdade algo realmente palpável, concreto. E não apenas uma palavra da ideologia liberal burguesa. Ou somente o paradigma da utopia comunista :o reino da liberdade. – “Um espírito ronda a Europa...”
Rosa Luxemburgo – nossa principal teórica realista, fundadora no núcleo Spartacus do Partido Comunista Alemão e que foi assassinada pelo governo social-democrata, em 1919, em plena República de Weimar, e jogada num canal... _ a “Luz dos Burgos”, num daqueles seus numinosos insights, nos disse, certa vez, que a liberdade é sempre a liberdade de quem pensa diferente. Ela acreditava, like me, na espontaneidade da força coletiva organizadora da classe revolucionária _ quando, claro, esta questão da organização tenha se tornado verdadeiramente atual. As condições estão dadas.
Matéria é energia e consciência, um fluxo criativo.
(Diário do Bardo – Joyce Pires)
Transcender a imagem significa ir além da ideologia materialista e ver o que a matéria realmente é : energia e consciência.
Essa visão é o conhecimento da inseparabilidade entre verdade absoluta e verdade relativa.
Esse é o momento da síntese entre o idealismo e o materialismo, o momento superior no desenvolvimento dialético da filosofia da prática revolucionária, que fará da Liberdade algo realmente palpável, concreto. E não apenas uma palavra da ideologia liberal burguesa. Ou somente o paradigma da utopia comunista :o reino da liberdade. – “Um espírito ronda a Europa...”
Rosa Luxemburgo – nossa principal teórica realista, fundadora no núcleo Spartacus do Partido Comunista Alemão e que foi assassinada pelo governo social-democrata, em 1919, em plena República de Weimar, e jogada num canal... _ a “Luz dos Burgos”, num daqueles seus numinosos insights, nos disse, certa vez, que a liberdade é sempre a liberdade de quem pensa diferente. Ela acreditava, like me, na espontaneidade da força coletiva organizadora da classe revolucionária _ quando, claro, esta questão da organização tenha se tornado verdadeiramente atual. As condições estão dadas.
Matéria é energia e consciência, um fluxo criativo.
(Diário do Bardo – Joyce Pires)
TENTANDO (03 AGOSTO 2009)
Tentáculos sonantes
Ressonantes
instigantes, no meu som
Tentáculos estatais
Escuta ambiental
e coisa e tal
e vamos levando a vida assim
nas janelas crivadas
cravadas presenças previsíveis
na minha necessidade gravadas...
-Gravação ? Não: realimentação.
Só mesmo dias e noites amáveis
aguardando a delicada plugagem
inóspita viagem, sonora hora
ora, ora
Tentáculos alto sonantes
cotidi anos, há dez anos
tentando alcançar, atravessar
um diAmante...
(Lógica e Tal - Joyce Pires)
Tentáculos sonantes
Ressonantes
instigantes, no meu som
Tentáculos estatais
Escuta ambiental
e coisa e tal
e vamos levando a vida assim
nas janelas crivadas
cravadas presenças previsíveis
na minha necessidade gravadas...
-Gravação ? Não: realimentação.
Só mesmo dias e noites amáveis
aguardando a delicada plugagem
inóspita viagem, sonora hora
ora, ora
Tentáculos alto sonantes
cotidi anos, há dez anos
tentando alcançar, atravessar
um diAmante...
(Lógica e Tal - Joyce Pires)
SATYAGRAHA , A FORÇA DA VERDADE (26 maio 2009)
Foi em 1904 que Mahatma Gandhi modifica radicalmente o seu estilo de vida e passa a se dedicar à vida comunal simples, deixando uma carreira próspera de advogado anglófilo, onde era o líder de um movimento de agitação legal pelos direitos dos nativos indianos na África do Sul. Tem início a fase daquilo que entrou para a História como SATYAGRAHA, a força-verdade, as campanhas NÃO-VIOLENTAS DE TRANSGRESSÃO declarada das leis, que culminaram na libertação da nação indiana do colonialismo inglês.
Entre 1904 e 1908, Gandhi elaborou, tanto na teoria quanto na prática, suas doutrinas da satyagraha ou ativismo não –violento (AHIMSA) e, na prática, a reordenação construtiva da sociedade sobre a base do modo de vida comunitário simplificado.
Satyagraha não é “resistência passiva” - que Gandhi considerava uma atitude negativa, instrumento dos fracos; nem é “desobediência civil”, que seria uma forma hostil de desafiar a ordem imposta (o imperialismo inglês).
A resistência que ele queria praticar é aquela da população que não tem medo de mostrar-se violenta, mas que prefere ser não-violenta e lutar com o poder da verdade, em vez de utilizar a força física.
Satyagraha é resistência pacífica; e não, passiva. É força e verdade. Um compromisso de honra. Um voto de bodisatva: samaya. Mais Luz.
(Diário do Bardo - Joyce Pires - 26 maio 2009)
Foi em 1904 que Mahatma Gandhi modifica radicalmente o seu estilo de vida e passa a se dedicar à vida comunal simples, deixando uma carreira próspera de advogado anglófilo, onde era o líder de um movimento de agitação legal pelos direitos dos nativos indianos na África do Sul. Tem início a fase daquilo que entrou para a História como SATYAGRAHA, a força-verdade, as campanhas NÃO-VIOLENTAS DE TRANSGRESSÃO declarada das leis, que culminaram na libertação da nação indiana do colonialismo inglês.
Entre 1904 e 1908, Gandhi elaborou, tanto na teoria quanto na prática, suas doutrinas da satyagraha ou ativismo não –violento (AHIMSA) e, na prática, a reordenação construtiva da sociedade sobre a base do modo de vida comunitário simplificado.
Satyagraha não é “resistência passiva” - que Gandhi considerava uma atitude negativa, instrumento dos fracos; nem é “desobediência civil”, que seria uma forma hostil de desafiar a ordem imposta (o imperialismo inglês).
A resistência que ele queria praticar é aquela da população que não tem medo de mostrar-se violenta, mas que prefere ser não-violenta e lutar com o poder da verdade, em vez de utilizar a força física.
Satyagraha é resistência pacífica; e não, passiva. É força e verdade. Um compromisso de honra. Um voto de bodisatva: samaya. Mais Luz.
(Diário do Bardo - Joyce Pires - 26 maio 2009)
SAMBHAVA (30 junho 2009)
Sambava na noite e durante o dia
Sambava nas esquinas, sambava
por toda a cidade do Rio de Janeiro
desde a Vila Isabel até Ipanema
passando pela Tijuca e a Ilha do Governador.
Sambava pelos campos e montanhas
sambava nos ares, entre as nuvens
Era nuvem e sambava coelhos
entre os Três Picos, sobre a Pedra
Sambava, sambava
porque nascia diAmante
cintilante, da magia
Sambava no ventre da Terra
Sambava ao ver a Luz, cabra
Sambava sobre os cavalos
Sambava nos intervalos
da sinfonia, entre as oitavas
Sambava nas chamas
ardendo, sambava, sambava
Sol se espraiando sobre o Mar.
(Lógica e Tal - Joyce Pires)
Sambava na noite e durante o dia
Sambava nas esquinas, sambava
por toda a cidade do Rio de Janeiro
desde a Vila Isabel até Ipanema
passando pela Tijuca e a Ilha do Governador.
Sambava pelos campos e montanhas
sambava nos ares, entre as nuvens
Era nuvem e sambava coelhos
entre os Três Picos, sobre a Pedra
Sambava, sambava
porque nascia diAmante
cintilante, da magia
Sambava no ventre da Terra
Sambava ao ver a Luz, cabra
Sambava sobre os cavalos
Sambava nos intervalos
da sinfonia, entre as oitavas
Sambava nas chamas
ardendo, sambava, sambava
Sol se espraiando sobre o Mar.
(Lógica e Tal - Joyce Pires)
PIRA
A trama da minha vida
É tecelagem artesã
Urdidura diamantina
Balido bala balaio
Ballet aquático
Via láctea
Dança em espiral
Transmutação
Pira
E preservo na letra
Para que a vida não se perca
Joyce Pires , 22 fev. 2005
Do livro Lua Nua
É tecelagem artesã
Urdidura diamantina
Balido bala balaio
Ballet aquático
Via láctea
Dança em espiral
Transmutação
Pira
E preservo na letra
Para que a vida não se perca
Joyce Pires , 22 fev. 2005
Do livro Lua Nua
PEDAGOGIA SEM DOMINAÇÃO (30 junho 2009)
Antonio Gramsci, do Partido Comunista Italiano, nosso grande teórico prático, se perguntava (e a nós) se, do ponto de vista histórico, uma nação ou grupo social, que atingiu um grau de cultura “superior”, pode (ou deve) acelerar o processo de educação dos povos e dos grupos sociais mais atrasados, universalizando e traduzindo de modo adequado sua nova experiência.
Trata-se da questão da educação no contexto do colonialismo ou do imperialismo, quando povos “civilizados” acreditavam, e ainda hoje “acreditam”, que podem (e têm o dever, de direito...) submeter povos “primitivos”, ou povos do terceiro mundo, aos padrões educacionais e tecnológicos avançados - como aqueles que achavam que escravizar era uma forma de educar moralmente - práticas comuns entre jesuítas e ingleses, por exemplo. Eles pretendem conservar sempre os homens no berço, isto é,nos lembra Gramsci, no momento da autoridade, que educa para a liberdade os povos imaturos. Hegel e Maquiavel, dialeticamente, achavam que a servidão é o berço da liberdade. Por isso que qualquer novo tipo de Estado passa por uma fase ditatorial: a servidão se justificaria somente enquanto educação e disciplina do homem ainda não livre. Pedagogia idealista; porque na dialética realista, educação não é uma luta contra a natureza mas a realização da verdadeira natureza humana, que só pode ser desenvolvida, de forma ativa e participativa, através de uma educação amorosa; e não, através da coerção e da submissão física, psicológica e cultural ou espiritual dos indivíduos.
Não pode ser nem a visão liberal e burguesa que é contrária ao “berço”, nem a visão mecanicista e idealista dos imperialistas e colonialistas conservadores, adeptos do evolucionismo determinista e vulgar.
A questão educacional, na transição ao modo de produção socialista, não pode ser uma função apenas das escolas, porque o aparelho dominante no capitalismo globalizado atual é a Mídia. Sem o trabalho de transformação dos “formadores de opinião”, ou seja, uma verdadeira metanóia (transformação dos sentimentos) dos produtores culturais, artistas, gente da cultura - o patriciado, essa fração da classe dominante, que Gramsci costumava chamar “intelectuais orgânicos” - não poderemos avançar em direção à libertação da nossa sociedade. Os currículos das escolas, desde os primeiros anos, precisam incluir noções básicas (os princípios) de socialismo, a nova concepção do mundo. Como também noções de História das Religiões, Mitologia, Canto, Música, Realismo histórico e dialético... e Hatha Yoga. Não adianta apenas criar novas escolas e alfabetizar. É preciso promover a reciclagem ideológica dos professores, artistas, jornalistas, cantores...
É bom relermos os textos sobre Educação, de Antonio Gramsci.
(Diário do Bardo - Joyce Pires - 03 junho 2009)
Antonio Gramsci, do Partido Comunista Italiano, nosso grande teórico prático, se perguntava (e a nós) se, do ponto de vista histórico, uma nação ou grupo social, que atingiu um grau de cultura “superior”, pode (ou deve) acelerar o processo de educação dos povos e dos grupos sociais mais atrasados, universalizando e traduzindo de modo adequado sua nova experiência.
Trata-se da questão da educação no contexto do colonialismo ou do imperialismo, quando povos “civilizados” acreditavam, e ainda hoje “acreditam”, que podem (e têm o dever, de direito...) submeter povos “primitivos”, ou povos do terceiro mundo, aos padrões educacionais e tecnológicos avançados - como aqueles que achavam que escravizar era uma forma de educar moralmente - práticas comuns entre jesuítas e ingleses, por exemplo. Eles pretendem conservar sempre os homens no berço, isto é,nos lembra Gramsci, no momento da autoridade, que educa para a liberdade os povos imaturos. Hegel e Maquiavel, dialeticamente, achavam que a servidão é o berço da liberdade. Por isso que qualquer novo tipo de Estado passa por uma fase ditatorial: a servidão se justificaria somente enquanto educação e disciplina do homem ainda não livre. Pedagogia idealista; porque na dialética realista, educação não é uma luta contra a natureza mas a realização da verdadeira natureza humana, que só pode ser desenvolvida, de forma ativa e participativa, através de uma educação amorosa; e não, através da coerção e da submissão física, psicológica e cultural ou espiritual dos indivíduos.
Não pode ser nem a visão liberal e burguesa que é contrária ao “berço”, nem a visão mecanicista e idealista dos imperialistas e colonialistas conservadores, adeptos do evolucionismo determinista e vulgar.
A questão educacional, na transição ao modo de produção socialista, não pode ser uma função apenas das escolas, porque o aparelho dominante no capitalismo globalizado atual é a Mídia. Sem o trabalho de transformação dos “formadores de opinião”, ou seja, uma verdadeira metanóia (transformação dos sentimentos) dos produtores culturais, artistas, gente da cultura - o patriciado, essa fração da classe dominante, que Gramsci costumava chamar “intelectuais orgânicos” - não poderemos avançar em direção à libertação da nossa sociedade. Os currículos das escolas, desde os primeiros anos, precisam incluir noções básicas (os princípios) de socialismo, a nova concepção do mundo. Como também noções de História das Religiões, Mitologia, Canto, Música, Realismo histórico e dialético... e Hatha Yoga. Não adianta apenas criar novas escolas e alfabetizar. É preciso promover a reciclagem ideológica dos professores, artistas, jornalistas, cantores...
É bom relermos os textos sobre Educação, de Antonio Gramsci.
(Diário do Bardo - Joyce Pires - 03 junho 2009)
Para um plano de libertação (27 abril 2009)
Cada sistema de produção constrói o sistema de punição que corresponde às suas relações produtivas. Essa construção se torna visível quando compreendemos que o modo de produção da vida social exprime a integração das forças produtivas materiais em determinadas relações de produção históricas, nas quais se manifesta a luta de classes da formação social capitalista. As “classes perigosas” são geradas pelas estruturas. E encarceradas. Isto é a criminalização da pobreza. Vigiar e Punir. Panoptismo.
O processo de adestramento da força de trabalho para reproduzir o capital (mais valia) não é apenas um investimento do corpo por relações de poder. A disciplina como política de coerção para produzir sujeitos dóceis e úteis _ como dizia Michel Foucault _ tem suas determinações materiais na relação capital / trabalho assalariado e é um processo essencial de um tipo de economia, é um fenômeno de economia política.
A relação cárcere / fábrica evoluiu para a simbiose fábrica / cárcere, gerando uma unidade arquitetônica punitiva/produtiva, onde a fábrica é construída como cárcere e o cárcere é erigido como uma fábrica _ os “presos” devem ser trabalhadores... e os trabalhadores devem ser detidos. Será esta uma espécie de audácia, a “audácia da esperança” ? ... de fazer da pobreza um crime.
O mesmo com as doenças mentais. Foucault disse certa vez que a doença só tem realidade e valor de doença no interior de uma cultura que a reconhece como tal.
Trata_ se de fazer, não uma “psicopatologia”, mas uma psicologia do Patos, isto é, do sofrimento despertado pelo Drama.
A nós, a missão de escutar os nossos delírios.
A angústia (ananke) transforma a ambigüidade de uma situação em ambivalência das reações. Se ela preenche a história de um indivíduo, ela é o seu princípio. Ela é um a priori da existência : a Necessidade.
O mundo atual torna possível as doenças mentais, a esquizofrenia, as psicoses... porque a cultura fez uma leitura do mundo alienante. Porque a cultura distanciou o ser humano e ele não se reconhece mais na realidade.
A consciência é um estado de associação com o Eu. “Eu” é um complexo central e mutável, onde a consciência se individualiza.
Um fator psíquico assume qualidade de consciência quando entra em relação com o eu. Se não há esta relação, o fator permanece inconsciente. O esquecimento é a falta de relação de conteúdos com o eu. Por isso, quantidades de informações não significam conhecimento. Não adianta ficar na Internet, “pesquisando”, sem fazer uma reflexão; sem articulação e vivência não ocorre o discernimento, e o reconhecimento. Não há qualidade...
A consciência é um jato de luz emitido por um refletor. Só os objetos iluminados entram no campo da percepção.
Transcender a imagem significa ver além, ver a realidade e não apenas os seus reflexos imanentes. Ver a realidade é reconhecer que a liberdade consiste justamente no conhecimento das nossas próprias necessidades.
São os carecimentos radicais que vão nos motivar a realizar a transformação das relações sociais.
Tempo e Espaço são dimensões significativas do ser. Temos que compreender isso.
Novas relações sociais exigem uma nova concepção do mundo. O Cyberspace _ o espaço eletrônico onde ocorrem as transações na Internet _ precisa se constituir numa oportunidade para o desenvolvimento da consciência coletiva e ser utilizado com senso de responsabilidade e crítica.Precisa ser um espaço ético; já que é a projeção de nossa própria imaginação e capacidade criativa. Não podemos permitir que se estabeleça como um novo cárcere; uma forma de clausura metafísica e fonética... Portanto, cautela: medite.
O socialismo é a passagem ao mundo da liberdade, do amor e da paz. Equanimidade e autoconsciência. Preservação de um povo e sua cultura... e identidade humana universal.
O sexto elemento, MahaTattwa, começa a se manifestar no Planeta Terra. Precisamos estar abertos para receber esse tattwa azul luminescente, que nos ativa a terceira visão e amplia a nossa consciência intuitiva.
_ Voilà.
(Diário do Bardo - Joyce Pires - 27 abril 2009)
Cada sistema de produção constrói o sistema de punição que corresponde às suas relações produtivas. Essa construção se torna visível quando compreendemos que o modo de produção da vida social exprime a integração das forças produtivas materiais em determinadas relações de produção históricas, nas quais se manifesta a luta de classes da formação social capitalista. As “classes perigosas” são geradas pelas estruturas. E encarceradas. Isto é a criminalização da pobreza. Vigiar e Punir. Panoptismo.
O processo de adestramento da força de trabalho para reproduzir o capital (mais valia) não é apenas um investimento do corpo por relações de poder. A disciplina como política de coerção para produzir sujeitos dóceis e úteis _ como dizia Michel Foucault _ tem suas determinações materiais na relação capital / trabalho assalariado e é um processo essencial de um tipo de economia, é um fenômeno de economia política.
A relação cárcere / fábrica evoluiu para a simbiose fábrica / cárcere, gerando uma unidade arquitetônica punitiva/produtiva, onde a fábrica é construída como cárcere e o cárcere é erigido como uma fábrica _ os “presos” devem ser trabalhadores... e os trabalhadores devem ser detidos. Será esta uma espécie de audácia, a “audácia da esperança” ? ... de fazer da pobreza um crime.
O mesmo com as doenças mentais. Foucault disse certa vez que a doença só tem realidade e valor de doença no interior de uma cultura que a reconhece como tal.
Trata_ se de fazer, não uma “psicopatologia”, mas uma psicologia do Patos, isto é, do sofrimento despertado pelo Drama.
A nós, a missão de escutar os nossos delírios.
A angústia (ananke) transforma a ambigüidade de uma situação em ambivalência das reações. Se ela preenche a história de um indivíduo, ela é o seu princípio. Ela é um a priori da existência : a Necessidade.
O mundo atual torna possível as doenças mentais, a esquizofrenia, as psicoses... porque a cultura fez uma leitura do mundo alienante. Porque a cultura distanciou o ser humano e ele não se reconhece mais na realidade.
A consciência é um estado de associação com o Eu. “Eu” é um complexo central e mutável, onde a consciência se individualiza.
Um fator psíquico assume qualidade de consciência quando entra em relação com o eu. Se não há esta relação, o fator permanece inconsciente. O esquecimento é a falta de relação de conteúdos com o eu. Por isso, quantidades de informações não significam conhecimento. Não adianta ficar na Internet, “pesquisando”, sem fazer uma reflexão; sem articulação e vivência não ocorre o discernimento, e o reconhecimento. Não há qualidade...
A consciência é um jato de luz emitido por um refletor. Só os objetos iluminados entram no campo da percepção.
Transcender a imagem significa ver além, ver a realidade e não apenas os seus reflexos imanentes. Ver a realidade é reconhecer que a liberdade consiste justamente no conhecimento das nossas próprias necessidades.
São os carecimentos radicais que vão nos motivar a realizar a transformação das relações sociais.
Tempo e Espaço são dimensões significativas do ser. Temos que compreender isso.
Novas relações sociais exigem uma nova concepção do mundo. O Cyberspace _ o espaço eletrônico onde ocorrem as transações na Internet _ precisa se constituir numa oportunidade para o desenvolvimento da consciência coletiva e ser utilizado com senso de responsabilidade e crítica.Precisa ser um espaço ético; já que é a projeção de nossa própria imaginação e capacidade criativa. Não podemos permitir que se estabeleça como um novo cárcere; uma forma de clausura metafísica e fonética... Portanto, cautela: medite.
O socialismo é a passagem ao mundo da liberdade, do amor e da paz. Equanimidade e autoconsciência. Preservação de um povo e sua cultura... e identidade humana universal.
O sexto elemento, MahaTattwa, começa a se manifestar no Planeta Terra. Precisamos estar abertos para receber esse tattwa azul luminescente, que nos ativa a terceira visão e amplia a nossa consciência intuitiva.
_ Voilà.
(Diário do Bardo - Joyce Pires - 27 abril 2009)
O POVO (08 abril 2009)
Quando a gente fala a palavra povo, que o povo precisa de comida e roupas, precisa de casa e educação, saúde, transporte etc, etc... o que se tem em mente é justamente a população mais pobre, o popular, os desprotegidos, descamisados, os humildes: Povo... Mas, será que esse povo foi sempre o mesmo ? Será que, na história do desenvolvimento das relações sociais, esse povo se constituiu sempre das mesmas classes sociais ? Vamos ver isso de perto:
Na Grécia antiga, na época da “Polis”, onde moravam os “cidadãos” e o modo de produção social era a Escravidão... já se falava em “Governo de todos” e a palavra para esse conceito é Democracia. Claro, democracia dos cidadãos... com os escravos plantando e colhendo os alimentos que os cidadãos comiam...
Mas, o que nos interessa aqui é o modo de produção capitalista e, portanto, vamos entrar nessa História, quando as relações sociais sofriam profundas transformações, com a ascensão de uma nova classe, que agora além do poder econômico também queria o poder político - para ampliar seus capitais. E isto nós vamos compreender melhor observando a França, dos séculos XVIII e XIX. O que era o Povo, então ? Nessa época em França, existiam os chamados Três Estados. O primeiro Estado era o Clero; o segundo, a Nobreza e o terceiro, o Povo. A forma de governo era a Monarquia e o Estado unitário-territorial (ou o Estado Nacional) já estava constituído. Esse POVO, o terceiro estado, já tem consciência da sua força e dignidade e já impõe condições para consentir nesse tipo de governo absoluto. Afinal, o Povo era a maioria da população. O clero se compunha de cerca de 130 mil membros, a nobreza em torno de 140 mil nobres e o terceiro estado (o Povo) já era uma população em torno de 25 milhões ! E o que era esse povo ? Os burgueses ( do comércio e indústria), que somavam 250 mil; os artesãos, com 2 milhões e 500 mil; e ....22 milhões de camponeses ! Esse Povo, juntos, pagavam impostos ao Estado, o dízimo ao clero e as taxas feudais aos nobres. Porque o modo de produção vigente era o feudalismo e os donos das terras eram os Senhores Feudais, ou seja, os nobres e o clero. Sim, porque a Igreja era proprietária da maioria do território europeu, não só na França; desde a época das Cruzadas, quando a Igreja Romana pode se apoderar de grande parte da Europa.
O que ocorreu então é que a burguesia ( os ricos) lidera a revolução, com a ajuda dos outros “povos”... e depois de tomar o poder - - que é algo que se precisa conhecer da nossa História ! (sugiro leitura do 18 Brumário de Bonaparte e Guerras Civis em França, de Karl Marx e também do Manifesto Comunista, de Marx e Engels) -- trai os camponeses. E essa parcela(a maioria da nação, sempre...), traída, continua, pelos séculos a fora, a ser chamada de POVO: os camponeses e os artesãos, que depois vão se transformando em operários, ou seja, artesãos assalariados. Com o desenvolvimento do modo de produção capitalista, cada vez mais artesãos (e camponeses) se transformam em assalariados e hoje apenas os camponeses ainda são POVO. Porque os Operários já estão conscientes de que se constituem numa Classe ( a classe revolucionária) e somente o POVO ainda não se deu conta da sua força. Bem, aqui no Brasil, por exemplo, já temos uma minoria desse povo (que ainda é a maioria da população do País) que já tomou consciência da sua situação social e histórica e se organiza = já há 25 anos = em torno do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra ( MST). E o restante desse Povo Camponês ? O que fazem os trabalhadores rurais produtivos ?
Se organizam em cooperativas capitalistas... em regime de economia familiar ( a maioria da produção que nutre o mercado interno) e na grande parcela do “povo do agro – negócio”, que servem de mão-de-obra assalariada aos conglomerados transnacionais que exploram as áreas rurais, com “financiamentos” dos bancos brasileiros.
Esse povo aí é Polvo ... não é Lula.
(Diário do Bardo - Joyce Pires - 08 abril 2009)
Quando a gente fala a palavra povo, que o povo precisa de comida e roupas, precisa de casa e educação, saúde, transporte etc, etc... o que se tem em mente é justamente a população mais pobre, o popular, os desprotegidos, descamisados, os humildes: Povo... Mas, será que esse povo foi sempre o mesmo ? Será que, na história do desenvolvimento das relações sociais, esse povo se constituiu sempre das mesmas classes sociais ? Vamos ver isso de perto:
Na Grécia antiga, na época da “Polis”, onde moravam os “cidadãos” e o modo de produção social era a Escravidão... já se falava em “Governo de todos” e a palavra para esse conceito é Democracia. Claro, democracia dos cidadãos... com os escravos plantando e colhendo os alimentos que os cidadãos comiam...
Mas, o que nos interessa aqui é o modo de produção capitalista e, portanto, vamos entrar nessa História, quando as relações sociais sofriam profundas transformações, com a ascensão de uma nova classe, que agora além do poder econômico também queria o poder político - para ampliar seus capitais. E isto nós vamos compreender melhor observando a França, dos séculos XVIII e XIX. O que era o Povo, então ? Nessa época em França, existiam os chamados Três Estados. O primeiro Estado era o Clero; o segundo, a Nobreza e o terceiro, o Povo. A forma de governo era a Monarquia e o Estado unitário-territorial (ou o Estado Nacional) já estava constituído. Esse POVO, o terceiro estado, já tem consciência da sua força e dignidade e já impõe condições para consentir nesse tipo de governo absoluto. Afinal, o Povo era a maioria da população. O clero se compunha de cerca de 130 mil membros, a nobreza em torno de 140 mil nobres e o terceiro estado (o Povo) já era uma população em torno de 25 milhões ! E o que era esse povo ? Os burgueses ( do comércio e indústria), que somavam 250 mil; os artesãos, com 2 milhões e 500 mil; e ....22 milhões de camponeses ! Esse Povo, juntos, pagavam impostos ao Estado, o dízimo ao clero e as taxas feudais aos nobres. Porque o modo de produção vigente era o feudalismo e os donos das terras eram os Senhores Feudais, ou seja, os nobres e o clero. Sim, porque a Igreja era proprietária da maioria do território europeu, não só na França; desde a época das Cruzadas, quando a Igreja Romana pode se apoderar de grande parte da Europa.
O que ocorreu então é que a burguesia ( os ricos) lidera a revolução, com a ajuda dos outros “povos”... e depois de tomar o poder - - que é algo que se precisa conhecer da nossa História ! (sugiro leitura do 18 Brumário de Bonaparte e Guerras Civis em França, de Karl Marx e também do Manifesto Comunista, de Marx e Engels) -- trai os camponeses. E essa parcela(a maioria da nação, sempre...), traída, continua, pelos séculos a fora, a ser chamada de POVO: os camponeses e os artesãos, que depois vão se transformando em operários, ou seja, artesãos assalariados. Com o desenvolvimento do modo de produção capitalista, cada vez mais artesãos (e camponeses) se transformam em assalariados e hoje apenas os camponeses ainda são POVO. Porque os Operários já estão conscientes de que se constituem numa Classe ( a classe revolucionária) e somente o POVO ainda não se deu conta da sua força. Bem, aqui no Brasil, por exemplo, já temos uma minoria desse povo (que ainda é a maioria da população do País) que já tomou consciência da sua situação social e histórica e se organiza = já há 25 anos = em torno do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra ( MST). E o restante desse Povo Camponês ? O que fazem os trabalhadores rurais produtivos ?
Se organizam em cooperativas capitalistas... em regime de economia familiar ( a maioria da produção que nutre o mercado interno) e na grande parcela do “povo do agro – negócio”, que servem de mão-de-obra assalariada aos conglomerados transnacionais que exploram as áreas rurais, com “financiamentos” dos bancos brasileiros.
Esse povo aí é Polvo ... não é Lula.
(Diário do Bardo - Joyce Pires - 08 abril 2009)
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