sábado, 7 de novembro de 2015

SOBE A NASCER



SOBE A NASCER    ((30 novembro 1999)

Vem, irmão, sobe
“sube a nacer conmigo, hermano”...
“dame la mano desde la profunda
zona de tu dolor diseminado”
Hablad, fala
Por mis palabras y mi sangre.
Fala! :
O sonho não acabou.

Vem, sobe a nascer comigo
Irmão
Me dê a mão
Nessa canção platinada
A lembrar Pablo Neruda
Em seus caminhos, luas do sol,
Nas trilhas de Macchu Picchu:
Que o luar já está a brilhar
Luar que une, ata, atante
Religa pelo ar, no ato, atlante
Atuante.

Como el musguito en la piedra
Si si si. (bis)


(Hathanoir  -   Joyce Pires – letra da
  Música 156, em 02 dezembro 1999)


CORPO SUTIL



CORPO SUTIL   (13 nov.03)

Um caracol é uma espiral
E a sua forma geométrica
Está para o material
Do que ele é constituído
Assim como o que ele é
Jorrou do que ele não poderia ter sido.
Um caracol é uma casa
Colada num próprio corpo
Finca pé
no chão ao alcance da mão.
Um caracol é uma espiral
Embora alguns não o consigam reconhecer
E ele continuará o sendo
Assim mesmo naturalmente um ente
Da natureza
Quer você queira ou não.
Um caracol é uma espiral
deslizante
Na folhagem espessa do brejo
Um vislumbre exuberante
De sutilezas.

(Magnífica  -  Joyce Pires  - letra da
Música 364, em 14 nov. 03)

sexta-feira, 6 de novembro de 2015


AZUIS



AZUIS     (08 DEZEMBRO 2002)

Elas estão de volta em nosso jardim
As flores azuis e seus tons
Outra vez, aqui e no fundo de mim
Elas, as mais belas
E meus olhos despertos se lançam
Avançam sobre os vários planos
Das encostas da mata e das montanhas
No declive, as copas das árvores
Meu olhar ascende ( nas folhas, o vento)
E delineia seu vulto verde
Que me veste a alma e contemplo
E é tanta serenidade, essa calma
Que me despe a alma
De qualquer temor ou medo
Seu relevo
No quadro da janela
E não há mais nada
Nem mesmo a saudade
Somente essa calma serenidade
Entre elas, as mais belas
Em primeiro plano, e adiante o vale...
E em volta desse azul, o outro azul
Lá do azul do céu.

(Magnífica – Joyce Pires – letra da
  Música 332, em 09 dez 02)

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

IRA QUE



IRA QUÊ ?   (21 março 2003)

-Quê ira é essa que me deságua?
Ao ver a ONU esmagada
Pela falocraCIA do império do norte -
Da morte de mártires iraquianos
Em nome da farsa consumista
Desses capitalistas perversos republicanos
Liderados por um Bush nazi-fascistas
E por um trabalhista... imperialista!
-Quê ira é essa que me transita?
E me indigna e me afasta da vida
Dessa vida desumana
Com seus mísseis e belicismos
-Quê ira é essa?
IRA QUE! IRAQUE! IRAQUE!
IRA que pede, grita, conclama:
Que todos saiam às ruas
E internets da vida
Que todos gritem pela paz! PAZ
-Saddam Hussein não é tirano
Nem um ditador!
Porque, a verdade seja dita:
Dita-dor é o nazi-Bush assassino
Sobre o qual eu despejo a minha IRA!

(Magnífica (p.62) – Joyce Pires – letra
  da música 343, em 23 ago 2003)

quarta-feira, 4 de novembro de 2015



O POVO     (08 abril 2009)

   Quando a gente fala a palavra povo, que o povo precisa de comida e roupas, precisa de casa e  educação, saúde, transporte etc, etc...  o que se tem em mente é justamente a população mais pobre, o popular, os desprotegidos, descamisados, os humildes:  Povo...  Mas, será que esse povo foi sempre o mesmo ?  Será que, na história do desenvolvimento das relações sociais, esse povo se constituiu sempre das mesmas classes sociais ?  Vamos ver isso de perto:

   Na Grécia antiga, na época da “Polis”, onde moravam os “cidadãos” e o modo de produção social era a Escravidão... já se falava em “Governo de todos” e a palavra para esse conceito é Democracia.  Claro, democracia dos cidadãos... com os escravos plantando e colhendo os alimentos que os cidadãos comiam...
   Mas, o que nos interessa aqui é o modo de produção capitalista e, portanto, vamos entrar nessa História, quando as relações sociais sofriam profundas transformações, com a ascensão de uma nova classe, que agora além do poder econômico também queria o poder político  -  para ampliar seus capitais. E isto nós vamos compreender melhor observando a França, dos séculos XVIII e XIX. O que era o Povo, então ?  Nessa época em França, existiam os chamados Três Estados. O primeiro Estado era o Clero; o segundo, a Nobreza e o terceiro, o Povo. A forma de governo era a Monarquia e o Estado unitário-territorial (ou o Estado Nacional) já estava constituído. Esse POVO, o terceiro estado, já tem consciência da sua força e dignidade e já impõe condições para consentir nesse tipo de governo absoluto.  Afinal, o Povo era a maioria da população. O clero se compunha de cerca de 130 mil membros, a nobreza em torno de 140 mil nobres e o terceiro estado (o Povo) já era uma população em torno de 25 milhões !   E o que era esse povo ?  Os burgueses ( do comércio e indústria), que somavam 250 mil; os artesãos, com 2 milhões e 500 mil;  e ....22 milhões de camponeses !  Esse Povo, juntos, pagavam impostos ao Estado, o dízimo ao clero e as taxas feudais aos nobres. Porque o modo de produção vigente era o feudalismo e os donos das terras eram os Senhores Feudais, ou seja, os nobres e o clero. Sim, porque a Igreja era proprietária da maioria do território europeu, não só na França;  desde a época das Cruzadas, quando a Igreja Romana pode se apoderar de grande parte da Europa.
   O que ocorreu então é que a burguesia ( os  ricos)  lidera a revolução, com a ajuda dos outros “povos”... e depois de tomar o poder  - -  que é algo que se precisa conhecer da nossa História ! (sugiro leitura do 18 Brumário de Bonaparte e Guerras Civis em França, de Karl Marx e também do Manifesto Comunista, de Marx e Engels)  --  trai os camponeses.  E essa parcela(a maioria da nação, sempre...), traída, continua, pelos séculos a fora, a ser chamada de POVO:  os camponeses e os artesãos, que depois vão se transformando em operários, ou seja, artesãos assalariados. Com o desenvolvimento do modo de produção capitalista, cada vez mais artesãos (e camponeses) se transformam em assalariados e hoje apenas os camponeses ainda são POVO. Porque os Operários já estão conscientes de que se constituem numa Classe ( a classe revolucionária) e somente o POVO ainda não se deu conta da sua força.   Bem, aqui no Brasil, por exemplo, já temos uma minoria desse povo (que ainda é a maioria da população  do País) que já tomou consciência da sua situação social e histórica e se organiza  =  já há 25 anos  =   em torno do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra ( MST).  E o restante desse Povo Camponês ?  O que fazem os trabalhadores rurais produtivos ?
   Se organizam em cooperativas capitalistas... em regime de economia familiar ( a maioria da produção que nutre o mercado interno)  e  na grande parcela do “povo do agro – negócio”, que servem de mão-de-obra assalariada aos conglomerados transnacionais que exploram as áreas rurais, com “financiamentos” dos bancos brasileiros.
   Esse povo aí é Polvo ...  não é Lula.

                                             (Diário do Bardo -  Joyce Pires  -  08 abril 2009)


IRA QUÊ ?   (21 março 2003)

-Quê ira é essa que me deságua?
Ao ver a ONU esmagada
Pela falocraCIA do império do norte -
Da morte de mártires iraquianos
Em nome da farsa consumista
Desses capitalistas perversos republicanos
Liderados por um Bush nazi-fascistas
E por um trabalhista... imperialista!
-Quê ira é essa que me transita?
E me indigna e me afasta da vida
Dessa vida desumana
Com seus mísseis e belicismos
-Quê ira é essa?
IRA QUE! IRAQUE! IRAQUE!
IRA que pede, grita, conclama:
Que todos saiam às ruas
E internets da vida
Que todos gritem pela paz! PAZ
-Saddam Hussein não é tirano
Nem um ditador!
Porque, a verdade seja dita:
Dita-dor é o nazi-Bush assassino
Sobre o qual eu despejo a minha IRA!

(Magnífica (p.62) – Joyce Pires – letra
  da música 343, em 23 ago 2003)


RESSONÂNCIA (18 JULHO 2000)

Que ternura é essa ? que me lateja, nas veias ?
E me acorda pela manhã bem cedo, um raio
E acaricia todo o meu corpo, dos pés à cabeça
E me arrepia os pelos e me desnuda ?
Um vento frio às vezes e logo esquenta
E ferve meus sentidos e me refresca os ouvidos...
E me faz tremer nas bases! Fervor! Medo!
      Que alegria é essa ? que me assalta:
O sentimento largo de uma morte súbita,
Um pressentimento no grito escandaloso dos gaviões?
- e eu sou a presa! Ou trigo maduro...
E me entrego inteira a esse amor
E me deixo levar nessa deliciosa tormenta
- tempestade e calmaria... De repente,
Me descubro ainda viva e jovem;
Naquela juventude dos dezoito anos
Diante da primeira revelação ? : sol.
       O que é isso que ressoa paz
       E que me faz assim tão linda ?
O que é isto? Que me reciclou...
Uma impressão profunda e transcendente ?
- A imanência do desejo, que me deseja.

(Lieberdade – Joyce Pires – letra da música 225,
  Em 15 dezembro 2000 – fita 31b/ fita 33)

SE



SE    (13 MARÇO 1999)


Se um dia você vier pra mim
Vai ser assim
Simplesmente assim :
Música e amor e poesia.
E nós duas saberemos afinal
Porque nos encontramos assim
Simplesmente assim :
Música e amor e poesia.

(Hathanoir – Joyce Pires –
 letra da música 131, em 13 março 99)


MINHA   (27 outubro 2009)

Minha e só minha
Nas malhas da hora que não chega
Nos segundos recontados nos dias
Em cada parcela espelhada nos meios
Nas faces recortadas, nas mãos, nos seios
Minha, só minha, meu rasto
Manada de belas ancas
Éguas soltas no pasto
Minha desesperança
Meu rastro
O mastro do navio
Riacho, leito de rio
Meu ninho perdido
Na esteira das engrenagens
Minha sorte selvagem
Apetite, voracidade do norte
Minha e só minha emoção
No volteio imaginário, desvario
Morte variada, sentimentos
Compartimento compartilhado, retardo
Minha, só minha rainha prisão
Magnífica em luz-som-cor-ação.

(Lógica e Tal  - Joyce  Pires – letra da
  Música 407, em 03 novembro 2009)