quarta-feira, 4 de novembro de 2015



RESSONÂNCIA (18 JULHO 2000)

Que ternura é essa ? que me lateja, nas veias ?
E me acorda pela manhã bem cedo, um raio
E acaricia todo o meu corpo, dos pés à cabeça
E me arrepia os pelos e me desnuda ?
Um vento frio às vezes e logo esquenta
E ferve meus sentidos e me refresca os ouvidos...
E me faz tremer nas bases! Fervor! Medo!
      Que alegria é essa ? que me assalta:
O sentimento largo de uma morte súbita,
Um pressentimento no grito escandaloso dos gaviões?
- e eu sou a presa! Ou trigo maduro...
E me entrego inteira a esse amor
E me deixo levar nessa deliciosa tormenta
- tempestade e calmaria... De repente,
Me descubro ainda viva e jovem;
Naquela juventude dos dezoito anos
Diante da primeira revelação ? : sol.
       O que é isso que ressoa paz
       E que me faz assim tão linda ?
O que é isto? Que me reciclou...
Uma impressão profunda e transcendente ?
- A imanência do desejo, que me deseja.

(Lieberdade – Joyce Pires – letra da música 225,
  Em 15 dezembro 2000 – fita 31b/ fita 33)

SE



SE    (13 MARÇO 1999)


Se um dia você vier pra mim
Vai ser assim
Simplesmente assim :
Música e amor e poesia.
E nós duas saberemos afinal
Porque nos encontramos assim
Simplesmente assim :
Música e amor e poesia.

(Hathanoir – Joyce Pires –
 letra da música 131, em 13 março 99)


MINHA   (27 outubro 2009)

Minha e só minha
Nas malhas da hora que não chega
Nos segundos recontados nos dias
Em cada parcela espelhada nos meios
Nas faces recortadas, nas mãos, nos seios
Minha, só minha, meu rasto
Manada de belas ancas
Éguas soltas no pasto
Minha desesperança
Meu rastro
O mastro do navio
Riacho, leito de rio
Meu ninho perdido
Na esteira das engrenagens
Minha sorte selvagem
Apetite, voracidade do norte
Minha e só minha emoção
No volteio imaginário, desvario
Morte variada, sentimentos
Compartimento compartilhado, retardo
Minha, só minha rainha prisão
Magnífica em luz-som-cor-ação.

(Lógica e Tal  - Joyce  Pires – letra da
  Música 407, em 03 novembro 2009)

quinta-feira, 22 de outubro de 2015



ENTERRADO VIVO !  (25 OUTUBRO 2011)

Al vai ser enterrado no deserto
Ocultado dos olhos do povo líbio
Numa tentativa desesperada
De evitar o inevitável: o mártir
Adorado será cantado e venerado
E mantido vivo em nossos corações!
Para sempre o revolucionário
Para sempre heróico
Para sempre libertário
Vigoroso, destemido
Viril, generoso
Honrado, querido
Humano e genial.
Al vai ser enterrado no deserto
E seu espírito, sobre a areia
Será o vento disseminando a luz,
Partículas do sol da primavera verde.
A Jamahiria, obra inabalável
De toda a sua vida
É a verdadeira estrela
Da lua crescente.

(Lógica e Tal – Joyce Pires)

KADAFI ESTÁ VIVO !!

segunda-feira, 19 de outubro de 2015



HYPOKRITÉS  (do livro Poesia – Joyce Pires, 19 outubro 2015)
    Ator é o devoto de Dioniso, aquele que saiu de si através do êxtase, porque Dioniso mergulhou em seu adorador através do entusiasmo. O simples mortal, um ântropos, em êxtase e entusiasmo, transforma-se em imortal, torna-se um anér (herói), ultrapassa a sua medida, seu métron, o limite de cada um. Assim, ultrapassando sua medida animal, o anér transforma-se em hypokrités, aquele que responde em êxtase e entusiasmo, ou seja, o ator. Essa ultrapassagem é um descomedimento, uma violência (hýbris) feita a si próprio. O hipócrita, daqui em diante, será levado a realizar a metamorfose, a transformação, em cada tarefa ou obra, durante toda a sua vida. É o destino do ator: romper com todos os interditos da ordem política, social, sexual, simbólica ou religiosa. Contrariar todas as regras da Polis, mesmo a “democrática”, dos deuses olímpicos (patriarcais).
   O deus do Teatro é o contestador religioso da religião política da Polis. A tragédia grega nasce de uma suavização apolínea desse ímpeto criativo dionisíaco, com intuito educativo. É a apropriação da píton ancestral da matrilinhagem pelo patriarcalismo nascente. O hipócrita perde entusiasmo e ganha essa conotação atual de afetação de uma virtude que não se tem, de impostura, fingimento; falsa devoção ou hipocrisia. Apolinizado, o hipócrita se configura como violência feita a si mesmo e aos deuses imortais, o que resulta no ciúme divino e em consequente némesis, a punição pela injustiça praticada. O ator, anér, torna-se rival dos deuses, o que provoca a cegueira da razão (áte). O ator caiu nas garras do destino cego (moîra). O Estado suporta a metamorfose apenas no âmbito da fertilidade e da fecundidade; na dimensão da sensibilidade e das artes. Quando a transformação alcança o nível da reflexão, ela é tolerada apenas como tragédia - tragoidía, “o canto do bode” (trágos, bode + oidé, canto).


terça-feira, 29 de setembro de 2015



DIGNIDADE  (02 dezembro 2000)

Sim! Eu quero levar até o fim
Esse barco pelo mar xista
Navegando assim esse veleiro voador
Mamífero alado vegetariano exfera
Terráqueo virgem santo! Sem censura!
Sim! Eu quero tudo
A que tenho direito nesta vida
Quero cantar minha poesia violeta
Quero uma orquestra de sopros
Com piano e violinos
Harpas, tambores e sinos.
Eu quero dignidade sonora e guitarras
Em  todas as horas.
O ágape ? –Não!, a gáspea:
Eu e a minha dignidade lésbica!

(Poemas de Campanha – p.61 – Joyce Pires
 Letra da música 221, em 05 dez.00 – fita 31)





PASSE LIVRE (28 junho 2013)

Passe livre para o eterno aprendiz
Que deseja reconstruir esse país.

Passe livre para os que já passaram
Há mais de quarenta anos
Pelas ruas e enfrentaram

A ditadura mudou de fisionomia
Deixou o militar nas ruas
Mas continua burguesa e econômica
Mantendo sua hegemônica isonomia.

Passe livre, liebertando; o arco-íris !
Porque a liberdade não tem cura
Liberdade é a cura: da sociedade.

Passe livre aos revolucionários
Aos artistas recriadores, para amar.
Passe livre aos rebeldes humanizados
Que não se deixam assimilar.

Passe livre já liberando
A passagem dessa banda
E ao canto libertário.

Passe livre aos excluídos desviantes
Aos marginalizados exemplares excluídos
Até do fome zero...

Passe livre sem pasárgadas
Que a terra é nossa terra
E a luz é para todos

Passe livre para o eterno aprendiz desse país.


(Poesia – Joyce Pires – música 448, em 28 junho 2013)

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Dos refugiados sírios... para Eles

Eles, que invadiram, armaram tribos rivais
eles, que promovem conflitos para dividir
e se apropriar das riquezas
eles, que criam situações desumanas
para poder explorar trabalhadores expropriados
de seus meios originais de produção.
Eles, os países imperialistas que controlam a ONU
e usam as forças armadas da OTAN
para destruir jamahírias...
São eles os responsáveis por todos esses genocídios.
Que resolvam, eles, os problemas
criados por seus impérios capitalistas!
                                 
             (Ao menino da praia...)