A NOVA BARBÁRIE (28 outubro 2011)
O que estamos vivendo no planeta
É uma nova barbárie: informatizada.
Bárbaros eram todos os povos
Que não eram gregos, helênicos.
Eram os invasores nômades
Que vinham barbarizar os sedentários.
E estes eram os civilizadores.
Os bárbaros chegavam e não eram doces...
Ocupavam territórios e destruíam tudo,
Saqueavam, estupravam, assassinavam.
Os autóctones defendiam-se como podiam.
Mas, não era como agora. Era corpo a corpo.
A nova barbárie é luta desigual.
Povos superarmados, com mísseis
E equipamentos sofisticados atacam
Populações miseráveis e escravizam.
E isto em nome da democracia
Que só beneficia a minoria
De privilegiados da burguesia.
É a barbárie globalizada.
Que é intensificada
Pela guerra difusa e pessoal,
Só comparável à guerra do tráfico.
(Lógica e Tal – Joyce Pires)
Diário de Bordo é um livro de insights dialéticos, iniciado em 06 março 2008, crônicas, ensaios, poesias.
domingo, 5 de julho de 2015
A ARTE DE CERZIR (Joyce Terra Cesar Pires)
A ARTE DE CERZIR (31 MARÇO 1999)
Cerzir; coser, remendar um tecido, de modo que não se note o conserto. Unir, juntar. Intercalar. Verbo irregular.
É uma atividade daqueles que estão pobres mas ainda desejam manter uma certa estética, quem sabe uma certa ética...
Cerzideira é mulher que cirze. Em náutica, é o cabo das testas da gávea, da vela que ocupa o lugar imediatamente superior à grande, nas galeras. Quando jovem esposa, minha mãe cerzia muito bem: meias, camisas...
Cerzidor é aquele que cirze. É também o escritor cujos trabalhos não passam de compilação de obras alheias. Cerzido é um conserto imperceptível.
Não sou boa cerzideira de roupas. Opero remendos, às vezes, em calças e meias de trabalho na roça. O cerzido mais parece desenhos bordados, figuras surreais. Mas não posso dizer que não herdei o talento materno. Faço ótimos cerzidos com a escritura. Com a caneta, ao invés da agulha, consigo elaborar um discurso coerente, lúcido e inovador, quando pesquiso e compilo obras alheias. Costumo dar o crédito, no texto. É uma espécie de homenagem às cabeças lúcidas de outros tempos; aqueles que considero meus pais, mães e meus tios. Como tio Marx, p.ex.; ou tio McLuhan. Mãe Rosa (Luxemburgo). Tia Rose (Marie Muraro). Pai ?... Mao (Zedong). Por quê ? sabe Deus... Há tinta no lugar da linha.
Bom. Mas eu dizia, enfim, sou uma boa cerzideira, afinal de contas. Daria uma ótima jornalista, pesquisadora, editora; autora de TV ?... Mas, rompi com meu destino. - Será mesmo ? Como hoje, acabo por descobrir que não. Ainda aqui, em casa, não abandonei minha profissão. Continuo reportando, editando. É: herança genética é forte. Não nos livramos assim tão facilmente. Minha mãe era ótima cerzideira. Também fazia excelentes ovos nevados ... sem quebrar os ovos. Celeste Terra: minha perséfone,quê Deus a tenha. Om Shanti.
Pois bem: como bom cerzidor, que sou, ando em busca de uma nova estética e uma certa ética. Por isso, compilo meus cúmplices. Coleciono ordenadamente certas leis. E o que encontro é a promessa de uma fala que dê significado às nossas vidas.
(Viburno, crônicas brasileiras - do livro Monólogos do Dilema, de Joyce Pires – teatro - fevereiro 1999).
Cerzir; coser, remendar um tecido, de modo que não se note o conserto. Unir, juntar. Intercalar. Verbo irregular.
É uma atividade daqueles que estão pobres mas ainda desejam manter uma certa estética, quem sabe uma certa ética...
Cerzideira é mulher que cirze. Em náutica, é o cabo das testas da gávea, da vela que ocupa o lugar imediatamente superior à grande, nas galeras. Quando jovem esposa, minha mãe cerzia muito bem: meias, camisas...
Cerzidor é aquele que cirze. É também o escritor cujos trabalhos não passam de compilação de obras alheias. Cerzido é um conserto imperceptível.
Não sou boa cerzideira de roupas. Opero remendos, às vezes, em calças e meias de trabalho na roça. O cerzido mais parece desenhos bordados, figuras surreais. Mas não posso dizer que não herdei o talento materno. Faço ótimos cerzidos com a escritura. Com a caneta, ao invés da agulha, consigo elaborar um discurso coerente, lúcido e inovador, quando pesquiso e compilo obras alheias. Costumo dar o crédito, no texto. É uma espécie de homenagem às cabeças lúcidas de outros tempos; aqueles que considero meus pais, mães e meus tios. Como tio Marx, p.ex.; ou tio McLuhan. Mãe Rosa (Luxemburgo). Tia Rose (Marie Muraro). Pai ?... Mao (Zedong). Por quê ? sabe Deus... Há tinta no lugar da linha.
Bom. Mas eu dizia, enfim, sou uma boa cerzideira, afinal de contas. Daria uma ótima jornalista, pesquisadora, editora; autora de TV ?... Mas, rompi com meu destino. - Será mesmo ? Como hoje, acabo por descobrir que não. Ainda aqui, em casa, não abandonei minha profissão. Continuo reportando, editando. É: herança genética é forte. Não nos livramos assim tão facilmente. Minha mãe era ótima cerzideira. Também fazia excelentes ovos nevados ... sem quebrar os ovos. Celeste Terra: minha perséfone,quê Deus a tenha. Om Shanti.
Pois bem: como bom cerzidor, que sou, ando em busca de uma nova estética e uma certa ética. Por isso, compilo meus cúmplices. Coleciono ordenadamente certas leis. E o que encontro é a promessa de uma fala que dê significado às nossas vidas.
(Viburno, crônicas brasileiras - do livro Monólogos do Dilema, de Joyce Pires – teatro - fevereiro 1999).
CLARÍCIA (Joyce Pires)
CLARÍCIA (25 março 1999)
Criar sobre a vida e entender é um modo de ser. Dizer o que conheço de mim mesma é uma forma de conhecer além do âmbito psicológico. E é esse aspecto da vida que me interessa porque é novo. O que transcende a imagem e aponta para fora da clausura histórica, da escritura. A possível liberdade de inventarmos um outro modo de coexistência saído das entranhas das estruturas que já estão passadas, que já não nos servem. De meu silêncio profundo, saindo de meu sono e do sonho, articular um dizer que o outro compreenda. Quando falo é porque estou sendo capaz de entender e isso nos dá o sentido: uma linguagem silenciosa que tem uma claridade natural. Em silêncio posso falar e não causar espanto. Morrendo direi mais e melhor. A realidade é delicada. A vida é delicada. Cada vida. De cada ser. Esse país vai se libertar quando me acolher, me assumir e se reintegrar. Porque eu sou aquele marginal marginalizado.
A liberdade é renovada e aberta no fazer humano; é pelo desejo que emerge a criatividade; esta é a finalidade da História feita pela paixão: o valor é o homem quem faz. Minha vida é minha História. O ser imanente expressa a criatividade e a alegria. É uma serena confiança no devir que repousa na eternidade. Vemos o mundo com a serenidade que o desejo do eterno faz nascer na alma de todos os seres sencientes. É a potência do desejo contra um poder que fixa a vida como uma aparência, um espetáculo. Nosso mundo está para ser construído: um novo mundo. Há que resistir ! Nossa consistência como ser e indivíduo de uma comunidade se dá na medida em que nossa vida emerge em ato de resistência e de recriação. Os poderes necessitam excluir aqueles que resistem com a própria vida. O excluído é um risco para o mundo, quando sua presença aponta para a liberdade e a alegria. O desejo que liberta nasce como sabedoria. A sociedade exclui aqueles que sabem, porque não pode correr o risco da memória viva; a memória que não se deixou corromper pelos sucessos fáceis. O silêncio é a proteção oficializada daqueles que se resignaram diante da força oficializada. A loucura é a explicitação da eficácia simbólica. Porque os que compreendem a “ verdade dominante” não têm como comunicar sua própria compreensão da realidade. A alienação é o desvio, a marginalização. A sociedade marginaliza porque não pode correr o risco da presença libertária. Daquele que saiu do âmbito da necessidade e age no âmbito da Lieberdade.
Sim. Sou brasileira, carioca da Vila... Isabel. Era onde meus pais moravam quando nasci. Gosto de samba e de chorinho, de Pixinguinha e Noel e do Martinho. Da Verde e Rosa, do Salgueiro, da Portela... Mas, ainda sou celta; mesmo assim, sendo tão carioca ainda sou celta e não tenho como me desfazer dessa cabeça belga... e surrealista. Mas, ainda não sou só isso: na longa rede dos meus sonhos vejo outros seres tão possíveis quanto eu mesma revivendo em mim. Um peregrino nos Pirineus, estóico e sobranceiro; um amante extasiado que adora sua amada à distância; a mãe que cuida de seus filhos ao lado do esposo e varre uma sala numa pequena casa em Mar de Espanha... De repente, um índio pataxó na beira do rio; uma menina japonesa correndo pela rua, em Nagasaki, no momento da explosão. Um pedreiro. E o insistente buscador de pérolas no fundo dos oceanos. Imagens ? e nasce nasce nascenascenascenascenas.
Os seres existem os outros como modo de se verem, disse Clarice.
Spinoza, o filósofo holandês Baruch Spinoza (Amsterdam 1632-77), dizia: “ Quanto mais apto é um corpo em comparação aos demais para agir e para sofrer de muitos modos, de cada vez, tanto mais apta é a alma deste corpo, em comparação com os demais para conhecer muitas coisas de cada vez; e quanto mais dependam destas, as ações, de um corpo, e menos corpos concorram com aquelas causas na ação, tanto mais apta é a alma deste corpo para as conhecer, distintamente”. Ele dizia que “ o desejo é o apetite com consciência de si mesmo” (...) “Julgamos que uma coisa é boa porque nos esforçamos por obtê-la, a queremos, a apetecemos, a desejamos”. “ A razão em que os homens se fundam para se julgarem livres, está na consciência das suas ações e na ignorância das causas que determinaram; além do mais, os decretos da alma não são mais que os próprios apetites e variam, por conseqüência, seguindo a disposição variável do corpo”. “Um desejo que nasce da alegria é mais forte, em igualdade de condições, que um desejo que nasce da tristeza”. “Um homem livre não pensa em coisa alguma, nem na morte; sua sabedoria é uma meditação, não em torno da morte, mas em torno da vida”. “Só os homens livres são muito agradecidos uns aos outros”. “Tudo o que é belo é também difícil e raro”. Ele polia as nossas lentes.
E ela clariciava: Tudo está. Quando eu precisar eu terei. O grande vazio em mim será o meu lugar de existir; minha pobreza extrema será uma grande vontade. Não. Não quero te dar o susto do meu amor. Ser usado é um modo de ser compreendido. A humildade é muito mais que um sentimento; é a realidade vista pelo mínimo bom-senso. Toda vida é uma missão secreta. Chego à altura de poder cair, estremeço e desisto e, finalmente, me votando à minha queda, despessoal, sem voz própria, finalmente sem mim - eis que tudo o que não tenho é que é meu. Tudo estará em mim , se eu não for.
- O clarear violeta, por exemplo, das quaresmeiras no verde da mata.
(Viburno, crônicas brasileiras – do livro Monólogos do Dilema – teatro -Joyce Pires – fevereiro 1999).
Criar sobre a vida e entender é um modo de ser. Dizer o que conheço de mim mesma é uma forma de conhecer além do âmbito psicológico. E é esse aspecto da vida que me interessa porque é novo. O que transcende a imagem e aponta para fora da clausura histórica, da escritura. A possível liberdade de inventarmos um outro modo de coexistência saído das entranhas das estruturas que já estão passadas, que já não nos servem. De meu silêncio profundo, saindo de meu sono e do sonho, articular um dizer que o outro compreenda. Quando falo é porque estou sendo capaz de entender e isso nos dá o sentido: uma linguagem silenciosa que tem uma claridade natural. Em silêncio posso falar e não causar espanto. Morrendo direi mais e melhor. A realidade é delicada. A vida é delicada. Cada vida. De cada ser. Esse país vai se libertar quando me acolher, me assumir e se reintegrar. Porque eu sou aquele marginal marginalizado.
A liberdade é renovada e aberta no fazer humano; é pelo desejo que emerge a criatividade; esta é a finalidade da História feita pela paixão: o valor é o homem quem faz. Minha vida é minha História. O ser imanente expressa a criatividade e a alegria. É uma serena confiança no devir que repousa na eternidade. Vemos o mundo com a serenidade que o desejo do eterno faz nascer na alma de todos os seres sencientes. É a potência do desejo contra um poder que fixa a vida como uma aparência, um espetáculo. Nosso mundo está para ser construído: um novo mundo. Há que resistir ! Nossa consistência como ser e indivíduo de uma comunidade se dá na medida em que nossa vida emerge em ato de resistência e de recriação. Os poderes necessitam excluir aqueles que resistem com a própria vida. O excluído é um risco para o mundo, quando sua presença aponta para a liberdade e a alegria. O desejo que liberta nasce como sabedoria. A sociedade exclui aqueles que sabem, porque não pode correr o risco da memória viva; a memória que não se deixou corromper pelos sucessos fáceis. O silêncio é a proteção oficializada daqueles que se resignaram diante da força oficializada. A loucura é a explicitação da eficácia simbólica. Porque os que compreendem a “ verdade dominante” não têm como comunicar sua própria compreensão da realidade. A alienação é o desvio, a marginalização. A sociedade marginaliza porque não pode correr o risco da presença libertária. Daquele que saiu do âmbito da necessidade e age no âmbito da Lieberdade.
Sim. Sou brasileira, carioca da Vila... Isabel. Era onde meus pais moravam quando nasci. Gosto de samba e de chorinho, de Pixinguinha e Noel e do Martinho. Da Verde e Rosa, do Salgueiro, da Portela... Mas, ainda sou celta; mesmo assim, sendo tão carioca ainda sou celta e não tenho como me desfazer dessa cabeça belga... e surrealista. Mas, ainda não sou só isso: na longa rede dos meus sonhos vejo outros seres tão possíveis quanto eu mesma revivendo em mim. Um peregrino nos Pirineus, estóico e sobranceiro; um amante extasiado que adora sua amada à distância; a mãe que cuida de seus filhos ao lado do esposo e varre uma sala numa pequena casa em Mar de Espanha... De repente, um índio pataxó na beira do rio; uma menina japonesa correndo pela rua, em Nagasaki, no momento da explosão. Um pedreiro. E o insistente buscador de pérolas no fundo dos oceanos. Imagens ? e nasce nasce nascenascenascenascenas.
Os seres existem os outros como modo de se verem, disse Clarice.
Spinoza, o filósofo holandês Baruch Spinoza (Amsterdam 1632-77), dizia: “ Quanto mais apto é um corpo em comparação aos demais para agir e para sofrer de muitos modos, de cada vez, tanto mais apta é a alma deste corpo, em comparação com os demais para conhecer muitas coisas de cada vez; e quanto mais dependam destas, as ações, de um corpo, e menos corpos concorram com aquelas causas na ação, tanto mais apta é a alma deste corpo para as conhecer, distintamente”. Ele dizia que “ o desejo é o apetite com consciência de si mesmo” (...) “Julgamos que uma coisa é boa porque nos esforçamos por obtê-la, a queremos, a apetecemos, a desejamos”. “ A razão em que os homens se fundam para se julgarem livres, está na consciência das suas ações e na ignorância das causas que determinaram; além do mais, os decretos da alma não são mais que os próprios apetites e variam, por conseqüência, seguindo a disposição variável do corpo”. “Um desejo que nasce da alegria é mais forte, em igualdade de condições, que um desejo que nasce da tristeza”. “Um homem livre não pensa em coisa alguma, nem na morte; sua sabedoria é uma meditação, não em torno da morte, mas em torno da vida”. “Só os homens livres são muito agradecidos uns aos outros”. “Tudo o que é belo é também difícil e raro”. Ele polia as nossas lentes.
E ela clariciava: Tudo está. Quando eu precisar eu terei. O grande vazio em mim será o meu lugar de existir; minha pobreza extrema será uma grande vontade. Não. Não quero te dar o susto do meu amor. Ser usado é um modo de ser compreendido. A humildade é muito mais que um sentimento; é a realidade vista pelo mínimo bom-senso. Toda vida é uma missão secreta. Chego à altura de poder cair, estremeço e desisto e, finalmente, me votando à minha queda, despessoal, sem voz própria, finalmente sem mim - eis que tudo o que não tenho é que é meu. Tudo estará em mim , se eu não for.
- O clarear violeta, por exemplo, das quaresmeiras no verde da mata.
(Viburno, crônicas brasileiras – do livro Monólogos do Dilema – teatro -Joyce Pires – fevereiro 1999).
O EXEMPLO DA CHINA (01 março 1999) Joyce Pires
O EXEMPLO DA CHINA (01 março 1999)
Mao Zedong, falando sobre a divisão do trabalho, refere-se à auto-suficiência: “e, como as coisas vão sendo mais fáceis agora que nos abastecemos por nós mesmos”... Abastecimento através da própria produção. É feudal ? Sim, foi. Mas agora significa um “passo atrás”, como estratégia. Apenas isso. “Formalmente nós violamos o princípio da divisão do trabalho”... “Nas nossas condições, através da própria atividade produtiva é, na forma, uma medida atrasada; mas na essência, é uma medida progressista que se reveste de grande importância histórica” (Obras Escolhidas, ed.Alfa Omega, p.439/444, de Mao TseTung).
O “outro elo” é o movimento de desenvolvimento da produção . Retificação e desenvolvimento da produção são dois movimentos de grande importância histórica.
“Desenvolvamos, alarguemos mais esses dois grandes movimentos que servem de base ao cumprimento de outras missões do nosso combate. Se conseguirmos isso, a libertação total do povo chinês estará assegurada.
Agora estamos no período dos trabalhos da Primavera; esperamos que os camaradas dirigentes, os funcionários e as massas populares de todas as regiões libertadas, dominem o elo da produção com sentido de oportunidade e alcancem sucessos ainda maiores que os do ano passado. Maiores esforços devem ser feitos este ano, muito especialmente nas áreas em que ainda não se aprendeu a desenvolver a produção”. A China vivia, então, a Guerra de Libertação contra o Imperialismo nascente, contra o Japão e seus lacaios.
Outro princípio chinês é a ótica da fartura. É uma lógica feminina, que não diferencia, não privilegia alguns poucos, desprezando a imensa maioria. É a ótica da grande mãe, Shing Mu.
“O princípio de organização do poder político da Democracia Nova deve ser o centralismo democrático, com assembléias populares a diversos escalões, determinando as medidas políticas de importância maior e elegendo os respectivos governos. Ela é simultaneamente democrático e centralizado, quer dizer, centralizado na base democrática e democratizado sob direção centralizada. É o único sistema que pode permitir plena expressão à democracia, dando plenos poderes às assembléias populares em todos os escalões, e ao mesmo tempo, garantir uma administração centralizada dos assuntos do Estado” (p.360).
As empresas como os Bancos (...) devem ser exploradas e administradas pelo Estado, de modo que o capital privado não domine a vida econômica do povo: eis o sentido principal da limitação do capital.
Mao disse: um escritor ou artista revolucionário não pode realizar trabalho significativo senão se liga às populações oprimidas, as exprime e lhes serve de fiel porta-voz. Só quando se é o seu representante se pode educá-las, e só quando se é aluno delas se pode chegar a ser para elas um professor. Depois que resolvemos essa orientação fundamental, que saber que se devem servir os operários, camponeses e trabalhadores em geral e saber como importa servi-los, ficam resolvidos os problemas de saber se é preciso pintar a luz ou as trevas, e o problema da união.
Fico assim pensando naqueles anos de preparação da Nova Democracia chinesa, quando Mao afirmava a fase inicial da revolução democrática em seu país como primeiro passo para o avanço em direção ao comunismo.
O caminho foi longo, mas aí está: a China, esse exemplo de planejamento, direção socialista e integração nacional. Verdadeira identidade cultural: com autoconsciência.
Diz Mao: “A luta revolucionária nas frentes da ideologia e da arte deve estar subordinada à luta política, pois as necessidades das classes oprimidas não podem encontrar expressão concentrada senão através da política. Os homens políticos revolucionários, os especialistas em política, os conhecedores da ciência política e da arte política revolucionária, são apenas guias desses milhões de outros homens políticos que formam as populações, cujas opiniões eles tem por tarefa recolher, sintetizar e fazer voltar de novo às populações a fim de que estas as aceitem e ponham em prática. Não são pois ‘homens políticos’ aristocratas, que fabricam carros encerrados num gabinete e se julgam grandes cabeças: aqui, casa única, não há sucursais. É nisso que consiste a diferença de princípio entre os homens políticos do proletariado e os políticos da burguesia decadente. E é precisamente por isso que a unidade pode ser total entre o caráter político da nossa literatura e da nossa arte e a sua verdade. Seria um erro ignorar esse ponto e aviltar a política proletária e os homens políticos do proletariado” (op.cit.p.125-6).
Mao diz: Em que devemos nos basear para distinguir o Bom e o Mau, nas intenções (desejo subjetivo) ou nos resultados (prática social) ? Os idealistas insistem nas intenções e ignoram os resultados; os partidários do materialismo mecanicista insistem nos resultados e ignoram as intenções. Nós, os realistas dialéticos, insistimos na unidade de intenções e resultados”.
É o que eu digo: Intenção iluminada, vida iluminada: sem erro !
Tudo o que possua um nível artístico relativamente elevado é bom ou relativamente bom. Sempre tendo em conta o resultado social. Esse é o critério artístico. Cada classe tem o seu critério político e artístico. Os trabalhadores devem determinar a sua atitude em relação a uma obra artística do passado, antes mais pela atitude tomada nessa obra frente ao povo e pela significação progressista que esta tenha ou não tenha tido na História. Quanto mais reacionário for o conteúdo de uma obra e elevado o seu valor artístico, tanto mais nociva será para o povo e tanto mais ela deve ser rejeitada. “O que nós exigimos é unidade política e da arte, unidade de conteúdo e forma, a unidade de um conteúdo político revolucionário com a forma artística mais perfeita possível” (p.131).
“As obras de arte que não têm qualidade artística não têm força, por mais progressistas que sejam politicamente”. E Mao completa: “O ponto de partida fundamental da literatura e da arte é o amor, o amor pela humanidade (...) mas desde que esta ficou dividida em classes nunca existiu esse amor assim geral (...) Há de haver, sim, o amor real pela humanidade, mas só quando as classes tiverem sido eliminadas em todo o mundo”.
- A síntese entre imanência e transcendência é a transparência... o brilho do “satin”. Falta muito pouco, meu querido. A grande hora do amor afinal se aproxima. Fica feliz, meu pai.
“De sobrolho franzido, desafio friamente
O dedo apontado do dignitário,
De cabeça baixa, converto-me voluntariamente
No búfalo da criança”.
(LuSun, “Para rir-me de mim mesmo”).
O dignitário, diz Mao, é o inimigo; a criança é o proletariado e as grandes populações. “Todos os comunistas, todos os revolucionários, todos os trabalhadores revolucionários da literatura e da arte devem seguir o exemplo de LuSun, e aceitar transportar o fardo até o último suspiro”.
Esse é o papel do intelectual orgânico, mesmo os pequeno-burgueses, da classe média. Ajudar, ligar-se às populações oprimidas; servi-las; e isto leva tempo. Um tempo para que aprendam, eles e elas, a se conhecerem mutuamente. Diz Mao: “ É possível, é mesmo inevitável que isso não se faça sem muito sofrimento e fricção, mas, se forem decididos, vocês chegarão ao objetivo”. Um longo período de estudo e trabalho... mas, o movimento de retificação sempre dará o fruto da transformação.
(trechos do livro Monólogos do Dilema – teatro - Joyce Pires - Fev.1999).
Mao Zedong, falando sobre a divisão do trabalho, refere-se à auto-suficiência: “e, como as coisas vão sendo mais fáceis agora que nos abastecemos por nós mesmos”... Abastecimento através da própria produção. É feudal ? Sim, foi. Mas agora significa um “passo atrás”, como estratégia. Apenas isso. “Formalmente nós violamos o princípio da divisão do trabalho”... “Nas nossas condições, através da própria atividade produtiva é, na forma, uma medida atrasada; mas na essência, é uma medida progressista que se reveste de grande importância histórica” (Obras Escolhidas, ed.Alfa Omega, p.439/444, de Mao TseTung).
O “outro elo” é o movimento de desenvolvimento da produção . Retificação e desenvolvimento da produção são dois movimentos de grande importância histórica.
“Desenvolvamos, alarguemos mais esses dois grandes movimentos que servem de base ao cumprimento de outras missões do nosso combate. Se conseguirmos isso, a libertação total do povo chinês estará assegurada.
Agora estamos no período dos trabalhos da Primavera; esperamos que os camaradas dirigentes, os funcionários e as massas populares de todas as regiões libertadas, dominem o elo da produção com sentido de oportunidade e alcancem sucessos ainda maiores que os do ano passado. Maiores esforços devem ser feitos este ano, muito especialmente nas áreas em que ainda não se aprendeu a desenvolver a produção”. A China vivia, então, a Guerra de Libertação contra o Imperialismo nascente, contra o Japão e seus lacaios.
Outro princípio chinês é a ótica da fartura. É uma lógica feminina, que não diferencia, não privilegia alguns poucos, desprezando a imensa maioria. É a ótica da grande mãe, Shing Mu.
“O princípio de organização do poder político da Democracia Nova deve ser o centralismo democrático, com assembléias populares a diversos escalões, determinando as medidas políticas de importância maior e elegendo os respectivos governos. Ela é simultaneamente democrático e centralizado, quer dizer, centralizado na base democrática e democratizado sob direção centralizada. É o único sistema que pode permitir plena expressão à democracia, dando plenos poderes às assembléias populares em todos os escalões, e ao mesmo tempo, garantir uma administração centralizada dos assuntos do Estado” (p.360).
As empresas como os Bancos (...) devem ser exploradas e administradas pelo Estado, de modo que o capital privado não domine a vida econômica do povo: eis o sentido principal da limitação do capital.
Mao disse: um escritor ou artista revolucionário não pode realizar trabalho significativo senão se liga às populações oprimidas, as exprime e lhes serve de fiel porta-voz. Só quando se é o seu representante se pode educá-las, e só quando se é aluno delas se pode chegar a ser para elas um professor. Depois que resolvemos essa orientação fundamental, que saber que se devem servir os operários, camponeses e trabalhadores em geral e saber como importa servi-los, ficam resolvidos os problemas de saber se é preciso pintar a luz ou as trevas, e o problema da união.
Fico assim pensando naqueles anos de preparação da Nova Democracia chinesa, quando Mao afirmava a fase inicial da revolução democrática em seu país como primeiro passo para o avanço em direção ao comunismo.
O caminho foi longo, mas aí está: a China, esse exemplo de planejamento, direção socialista e integração nacional. Verdadeira identidade cultural: com autoconsciência.
Diz Mao: “A luta revolucionária nas frentes da ideologia e da arte deve estar subordinada à luta política, pois as necessidades das classes oprimidas não podem encontrar expressão concentrada senão através da política. Os homens políticos revolucionários, os especialistas em política, os conhecedores da ciência política e da arte política revolucionária, são apenas guias desses milhões de outros homens políticos que formam as populações, cujas opiniões eles tem por tarefa recolher, sintetizar e fazer voltar de novo às populações a fim de que estas as aceitem e ponham em prática. Não são pois ‘homens políticos’ aristocratas, que fabricam carros encerrados num gabinete e se julgam grandes cabeças: aqui, casa única, não há sucursais. É nisso que consiste a diferença de princípio entre os homens políticos do proletariado e os políticos da burguesia decadente. E é precisamente por isso que a unidade pode ser total entre o caráter político da nossa literatura e da nossa arte e a sua verdade. Seria um erro ignorar esse ponto e aviltar a política proletária e os homens políticos do proletariado” (op.cit.p.125-6).
Mao diz: Em que devemos nos basear para distinguir o Bom e o Mau, nas intenções (desejo subjetivo) ou nos resultados (prática social) ? Os idealistas insistem nas intenções e ignoram os resultados; os partidários do materialismo mecanicista insistem nos resultados e ignoram as intenções. Nós, os realistas dialéticos, insistimos na unidade de intenções e resultados”.
É o que eu digo: Intenção iluminada, vida iluminada: sem erro !
Tudo o que possua um nível artístico relativamente elevado é bom ou relativamente bom. Sempre tendo em conta o resultado social. Esse é o critério artístico. Cada classe tem o seu critério político e artístico. Os trabalhadores devem determinar a sua atitude em relação a uma obra artística do passado, antes mais pela atitude tomada nessa obra frente ao povo e pela significação progressista que esta tenha ou não tenha tido na História. Quanto mais reacionário for o conteúdo de uma obra e elevado o seu valor artístico, tanto mais nociva será para o povo e tanto mais ela deve ser rejeitada. “O que nós exigimos é unidade política e da arte, unidade de conteúdo e forma, a unidade de um conteúdo político revolucionário com a forma artística mais perfeita possível” (p.131).
“As obras de arte que não têm qualidade artística não têm força, por mais progressistas que sejam politicamente”. E Mao completa: “O ponto de partida fundamental da literatura e da arte é o amor, o amor pela humanidade (...) mas desde que esta ficou dividida em classes nunca existiu esse amor assim geral (...) Há de haver, sim, o amor real pela humanidade, mas só quando as classes tiverem sido eliminadas em todo o mundo”.
- A síntese entre imanência e transcendência é a transparência... o brilho do “satin”. Falta muito pouco, meu querido. A grande hora do amor afinal se aproxima. Fica feliz, meu pai.
“De sobrolho franzido, desafio friamente
O dedo apontado do dignitário,
De cabeça baixa, converto-me voluntariamente
No búfalo da criança”.
(LuSun, “Para rir-me de mim mesmo”).
O dignitário, diz Mao, é o inimigo; a criança é o proletariado e as grandes populações. “Todos os comunistas, todos os revolucionários, todos os trabalhadores revolucionários da literatura e da arte devem seguir o exemplo de LuSun, e aceitar transportar o fardo até o último suspiro”.
Esse é o papel do intelectual orgânico, mesmo os pequeno-burgueses, da classe média. Ajudar, ligar-se às populações oprimidas; servi-las; e isto leva tempo. Um tempo para que aprendam, eles e elas, a se conhecerem mutuamente. Diz Mao: “ É possível, é mesmo inevitável que isso não se faça sem muito sofrimento e fricção, mas, se forem decididos, vocês chegarão ao objetivo”. Um longo período de estudo e trabalho... mas, o movimento de retificação sempre dará o fruto da transformação.
(trechos do livro Monólogos do Dilema – teatro - Joyce Pires - Fev.1999).
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