G 20 (03 abril 2009)
Um espectro ronda a Europa. É o espírito humano ... do comunismo.
A crise atual (cíclica ?) do modo de produção capitalista está condicionando atitudes realmente surpreendentes e inovadoras - como essa, agora, durante a reunião da cúpula de Presidentes dos Vinte Países “mais desenvolvidos” : o G 20 (Grupo dos Vinte), que inclui desde os USA até o nosso Brasil. Onde, aliás, acabamos de saber, se encontra o Presidente da República , o Lula, mais popular do mundo...
Essa reunião do G20 pretende ser uma “organização para a cooperação mundial”, um primeiro passo, para a nova regulamentação dos capitais globais... E, segundo o Lula, o Brasil vai emprestar dinheiro ao FMI, para ajudar os “países pobres”. É; as coisas mudaram. De “devedores” passamos a “credores”. – Será que nos transformaremos, algum dia, em “agiotas” ? Ou nessa Nova Regulamentação seremos protagonistas, seremos os líderes da verdadeira mudança ? : aquela que inclui Justiça e Liberdade. E aplica a Lógica da Fartura, substituindo a da Usura...
Teremos uma segunda reunião do G 20, para reavaliações das decisões tomadas na primeira, como por exemplo, a necessária fiscalização dos chamados paraísos fiscais (a Suíça e Luxemburgo foram incluídos na lista, o que causou muito constrangimento...), onde os capitais internacionais são “desviados”.
_ Sim: os capitais precisam voltar para a Terra ! Mas, numa Nova Divisão Internacional do Trabalho.
(Diário do Bardo – Joyce Pires)
Diário de Bordo é um livro de insights dialéticos, iniciado em 06 março 2008, crônicas, ensaios, poesias.
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
O QUE É IDEOLOGIA (03 abril 2009)
Na história das ideologias, tivemos um primeiro estágio durante o século XVIII em que ideologia
significava “ciência das idéias”, que era um conceito sensorialista, do materialismo francês : o
método dessa ciência era uma análise das idéias, ou seja, uma pesquisa da origem das idéias, que decompostas em seus “elementos originais” acabam sendo apenas “sensações”... ou quem sabe uma “potência do Espírito”.
Depois, já no século XIX, ideologia passou a significar um “sistema de idéias”, também um conceito do materialismo; esse “sistema” seria produto de uma personalidade, de um “ideólogo”, que pode ser um filósofo ou até mesmo um médico, um psicólogo ou um sociólogo.
Hoje, podemos compreender melhor o que é uma ideologia, sem nos apegarmos a esses valores já ultrapassados.
A ideologia é uma dimensão da superestrutura de uma formação social (sociedade), historicamente orgânica, ou seja, necessária a uma determinada estrutura socioeconômica e que permite a reprodução das relações sociais e de produção vigentes. Esta é a validade psicológica de uma ideologia orgânica (isto é, não arbitrária ou racionalista, saída do cérebro de um indivíduo qualquer), daquela que organiza as populações humanas, preparando o espaço para que a consciência se manifeste e as classes possam saber como atingir seus objetivos. Tal ideologia é realmente uma concepção teórica, que se realiza enquanto se alimenta, numa simbiose semelhante aquela entre a flor e o colibri.
Uma tal ideologia tem a “solidez das crenças populares” ou a mesma energia de uma força material - disse-nos Marx. Imaginação ativa.
Nessa “história das ideologias” podemos agora acrescentar o momento de superação ideológica, quando as forças materiais - forças que se constituem de energia e consciência - se organizam globalmente, no sentido, afinal, da realização do socialismo como modo de produção hegemônico. A ideologia materialista transforma-se dialeticamente em consciência realista, aquela que vê além da ideologia e tem a força da realização.
O materialismo histórico e dialético não podia deixar de ser uma fase crítica e polêmica da filosofia. “Materialismo” era qualquer doutrina que excluísse a transcendência, o que colocava do mesmo lado o panteísmo, o imanentismo, o “realismo político” romântico, tudo o que se opusesse ao espiritualismo e ao idealismo. O que o “senso comum” entende por materialismo é o que se encontra nesta terra e não no paraíso. Para o europeu do século XIX a América era “materialista”, porque utilizava muitas máquinas e as empresas e os negócios excediam um certo limite considerado “justo”...
_ Depois da reunião de ontem do G 20 ... isto se esclarece.
(Diário do Bardo - Joyce Pires)
Na história das ideologias, tivemos um primeiro estágio durante o século XVIII em que ideologia
significava “ciência das idéias”, que era um conceito sensorialista, do materialismo francês : o
método dessa ciência era uma análise das idéias, ou seja, uma pesquisa da origem das idéias, que decompostas em seus “elementos originais” acabam sendo apenas “sensações”... ou quem sabe uma “potência do Espírito”.
Depois, já no século XIX, ideologia passou a significar um “sistema de idéias”, também um conceito do materialismo; esse “sistema” seria produto de uma personalidade, de um “ideólogo”, que pode ser um filósofo ou até mesmo um médico, um psicólogo ou um sociólogo.
Hoje, podemos compreender melhor o que é uma ideologia, sem nos apegarmos a esses valores já ultrapassados.
A ideologia é uma dimensão da superestrutura de uma formação social (sociedade), historicamente orgânica, ou seja, necessária a uma determinada estrutura socioeconômica e que permite a reprodução das relações sociais e de produção vigentes. Esta é a validade psicológica de uma ideologia orgânica (isto é, não arbitrária ou racionalista, saída do cérebro de um indivíduo qualquer), daquela que organiza as populações humanas, preparando o espaço para que a consciência se manifeste e as classes possam saber como atingir seus objetivos. Tal ideologia é realmente uma concepção teórica, que se realiza enquanto se alimenta, numa simbiose semelhante aquela entre a flor e o colibri.
Uma tal ideologia tem a “solidez das crenças populares” ou a mesma energia de uma força material - disse-nos Marx. Imaginação ativa.
Nessa “história das ideologias” podemos agora acrescentar o momento de superação ideológica, quando as forças materiais - forças que se constituem de energia e consciência - se organizam globalmente, no sentido, afinal, da realização do socialismo como modo de produção hegemônico. A ideologia materialista transforma-se dialeticamente em consciência realista, aquela que vê além da ideologia e tem a força da realização.
O materialismo histórico e dialético não podia deixar de ser uma fase crítica e polêmica da filosofia. “Materialismo” era qualquer doutrina que excluísse a transcendência, o que colocava do mesmo lado o panteísmo, o imanentismo, o “realismo político” romântico, tudo o que se opusesse ao espiritualismo e ao idealismo. O que o “senso comum” entende por materialismo é o que se encontra nesta terra e não no paraíso. Para o europeu do século XIX a América era “materialista”, porque utilizava muitas máquinas e as empresas e os negócios excediam um certo limite considerado “justo”...
_ Depois da reunião de ontem do G 20 ... isto se esclarece.
(Diário do Bardo - Joyce Pires)
ERNESTO (12 julho 2009)
Acaricio sua sobrancelha negra
com a ponta do polegar
depois a face, sob o olhar
com delicadeza
de baixo para cima
para ver se ele me dá
aquele seu sorriso largo.
Agora sinto seus lábios
tentando pressentir palavras
do seu diário revolucionário
num momento, aquela frase popular
sobre la ternura que não se perde
jamás ( e toco o sulco central na testa)
depois, algo sobre o amor
que nos move na transcendência
dos limites impostos pelas classes
dominantes
e do que precisamos fazer.
Então, vejo seus olhos assim tristes
abertos na fotografia e tão vivos
e percebo o que ele diz : uni-vos !
(Lógica e Tal - Joyce Pires)
com a ponta do polegar
depois a face, sob o olhar
com delicadeza
de baixo para cima
para ver se ele me dá
aquele seu sorriso largo.
Agora sinto seus lábios
tentando pressentir palavras
do seu diário revolucionário
num momento, aquela frase popular
sobre la ternura que não se perde
jamás ( e toco o sulco central na testa)
depois, algo sobre o amor
que nos move na transcendência
dos limites impostos pelas classes
dominantes
e do que precisamos fazer.
Então, vejo seus olhos assim tristes
abertos na fotografia e tão vivos
e percebo o que ele diz : uni-vos !
(Lógica e Tal - Joyce Pires)
ECO (30 JUNHO 2009)
Perdi minhas cabras para a violência dos cães e dos vizinhos
Perdi um amor dividido
Deixei cortarem o grande Eu calipto
testemunha do nosso encantamento
E estou vendendo um pouco de chão
nessa troca simbólica sem fim.
Minha casa foi estuprada, roubada, violentada
A varanda desabou, o galpão caiu
a dissolução tudo destruiu
E por aqui restou apenas a tua voz
ecoando na lareira.
(Lógica e Tal - Joyce Pires)
Perdi um amor dividido
Deixei cortarem o grande Eu calipto
testemunha do nosso encantamento
E estou vendendo um pouco de chão
nessa troca simbólica sem fim.
Minha casa foi estuprada, roubada, violentada
A varanda desabou, o galpão caiu
a dissolução tudo destruiu
E por aqui restou apenas a tua voz
ecoando na lareira.
(Lógica e Tal - Joyce Pires)
CICLOVIAS
Antes de dormir penso em você
Pra ficar em paz
E quando a saudade é demais
Eu preencho com teus conteúdos
E alcanço o céu dos justos
Nos teus braços, a magia
Em tuas mãos, alegria
E nos dedos a grande arte
De compor sinfonias
Com harpas e violinos
Trompete, piano e címbalos
Às vezes, algo mais simples
Um sambinha de raiz, desses que aparecem
De repente, quando a gente menos espera
E nos toma espontaneamente
Outras noites, compomos ciclovias espirais
Alçamos vôo e ficamos assim cantando juntas
No ritmo ardente das estrelas.
Joyce Pires, em 12 julho 2009
do livro Lógica e Tal, letra da música 403
composta em 31 julho 2009.
Pra ficar em paz
E quando a saudade é demais
Eu preencho com teus conteúdos
E alcanço o céu dos justos
Nos teus braços, a magia
Em tuas mãos, alegria
E nos dedos a grande arte
De compor sinfonias
Com harpas e violinos
Trompete, piano e címbalos
Às vezes, algo mais simples
Um sambinha de raiz, desses que aparecem
De repente, quando a gente menos espera
E nos toma espontaneamente
Outras noites, compomos ciclovias espirais
Alçamos vôo e ficamos assim cantando juntas
No ritmo ardente das estrelas.
Joyce Pires, em 12 julho 2009
do livro Lógica e Tal, letra da música 403
composta em 31 julho 2009.
CENTELHA (17 JULHO 2009)
Às vezes tenho a impressão obscena
de que a vida é mesmo feita de cenas
pura imaginação, delírio, magias
e então caio em mim e tão fundo
que um sentido se deixa ver no mundo
e isso é outra cena, mas com significado
O que vivo hoje é fruta
dos anos duros
daquilo que não foi dito
e fermentou como uva
no fogo úmido
no ritmo das estrelas
para hoje cintilar
coriscos impulsionantes
rebrilhamentos dos teus olhos
no centro do ser
E a minha vida se assemelha
na centelha que nasceu em você.
(Lógica e Tal - Joyce Pires)
de que a vida é mesmo feita de cenas
pura imaginação, delírio, magias
e então caio em mim e tão fundo
que um sentido se deixa ver no mundo
e isso é outra cena, mas com significado
O que vivo hoje é fruta
dos anos duros
daquilo que não foi dito
e fermentou como uva
no fogo úmido
no ritmo das estrelas
para hoje cintilar
coriscos impulsionantes
rebrilhamentos dos teus olhos
no centro do ser
E a minha vida se assemelha
na centelha que nasceu em você.
(Lógica e Tal - Joyce Pires)
BE E (15 maio 1997)
O espírito é um operário
um trabalhador especial
e a natureza
é a sua matéria-prima :
com ela ele cinzela
favos de mel.
(Tântricos Poemas – Joyce Pires)
um trabalhador especial
e a natureza
é a sua matéria-prima :
com ela ele cinzela
favos de mel.
(Tântricos Poemas – Joyce Pires)
A MORCEGA (30 junho 2009)
A morcega deixa vestígios e sementes no chão do hall
A morcega uiva um grito sem som
A morcega alça vôo com asas de patas
A morcega se espanta com luz
Mas, como ? se é cega...
O berro da morcega não se ouve
Na luz que ela não pode ver :
Porque a morcega escuta no que não pode ver
O eco do seu ser.
A morcega vive no escuro, dona da noite sem lua
Come seus frutos e ama no escuro
Flutua entre as estrelas sem vê-las
Bailarina ecológica
A morcega.
(Lógica e Tal - Joyce Pires – letra da
Música 405, em 06 agosto 2009)
A morcega uiva um grito sem som
A morcega alça vôo com asas de patas
A morcega se espanta com luz
Mas, como ? se é cega...
O berro da morcega não se ouve
Na luz que ela não pode ver :
Porque a morcega escuta no que não pode ver
O eco do seu ser.
A morcega vive no escuro, dona da noite sem lua
Come seus frutos e ama no escuro
Flutua entre as estrelas sem vê-las
Bailarina ecológica
A morcega.
(Lógica e Tal - Joyce Pires – letra da
Música 405, em 06 agosto 2009)
A HORA DA COLHEITA (04 abril 2009)
Uma formação social, ou melhor, uma formação econômico-social é a totalidade de relações de produção determinadas, cujo desenvolvimento é um processo histórico natural. Não é uma “sociedade” ou um agregado mecânico de indivíduos que está sujeito a mudanças segundo arbítrio de autoridades ou governos ou de interesses particulares, que nasce e se transforma ao acaso... Uma formação social se desenvolve de acordo com certas leis materiais, num processo que é histórico e dialético, ou seja, de acordo com as leis da luta de classes e da revolução. Isto que Karl Marx chamou de lei de desenvolvimento da história humana - que é a mutabilidade das formações sociais.
Em Para a Crítica da Economia Política, Marx nos diz assim : “Na produção social da sua vida, os homens entram em determinadas relações necessárias, independentes da sua vontade, relações de produção que correspondem a uma determinada etapa do desenvolvimento das suas forças produtivas materiais”. A totalidade destas relações de produção forma a estrutura econômica da sociedade, a base real sobre a qual se ergue uma superestrutura jurídica e política e à qual correspondem determinadas formas da consciência social. O modo de produção da vida material é que condiciona o processo da vida social, política e espiritual. Não é a consciência dos homens que determina o seu ser, mas, inversamente, o seu ser social que determina a sua consciência. Numa certa etapa do seu desenvolvimento, as forças produtivas materiais da sociedade entram em contradição com as relações de produção existentes, ou, o que é apenas uma expressão jurídica delas, com as relações de propriedade no seio das quais se tinham até aí movido. De formas de desenvolvimento das forças produtivas, estas relações transformam-se em grilhões das mesmas. Ocorre então uma época de revolução social. (Zur Kritik der politischem ökonomie (1858) – Karl Marx)
Nessa contradição entre forças produtivas materiais e relações de produção capitalistas está a possibilidade de mudança. A dialética não é um processo de evolução reformista.
Trata-se da organização dos trabalhadores em classe revolucionária e a conquista da democracia.
No momento em que compreendemos que as condições objetivas da transformação estão maduras só o que precisamos fazer é... colher os frutos.
As relações de produção capitalistas, dominantes hoje, no mundo, estão detendo o desenvolvimento completo da humanidade. Não vamos deixar os frutos apodrecerem; não é mesmo ?!
O mundo tem fome, de alimentos, de justiça e de liberdade.
E essa colheita é obra para o conjunto daqueles povos que estão com fome. Então,
UNI - VOS !!
(Diário do Bardo – Joyce Pires)
Em Para a Crítica da Economia Política, Marx nos diz assim : “Na produção social da sua vida, os homens entram em determinadas relações necessárias, independentes da sua vontade, relações de produção que correspondem a uma determinada etapa do desenvolvimento das suas forças produtivas materiais”. A totalidade destas relações de produção forma a estrutura econômica da sociedade, a base real sobre a qual se ergue uma superestrutura jurídica e política e à qual correspondem determinadas formas da consciência social. O modo de produção da vida material é que condiciona o processo da vida social, política e espiritual. Não é a consciência dos homens que determina o seu ser, mas, inversamente, o seu ser social que determina a sua consciência. Numa certa etapa do seu desenvolvimento, as forças produtivas materiais da sociedade entram em contradição com as relações de produção existentes, ou, o que é apenas uma expressão jurídica delas, com as relações de propriedade no seio das quais se tinham até aí movido. De formas de desenvolvimento das forças produtivas, estas relações transformam-se em grilhões das mesmas. Ocorre então uma época de revolução social. (Zur Kritik der politischem ökonomie (1858) – Karl Marx)
Nessa contradição entre forças produtivas materiais e relações de produção capitalistas está a possibilidade de mudança. A dialética não é um processo de evolução reformista.
Trata-se da organização dos trabalhadores em classe revolucionária e a conquista da democracia.
No momento em que compreendemos que as condições objetivas da transformação estão maduras só o que precisamos fazer é... colher os frutos.
As relações de produção capitalistas, dominantes hoje, no mundo, estão detendo o desenvolvimento completo da humanidade. Não vamos deixar os frutos apodrecerem; não é mesmo ?!
O mundo tem fome, de alimentos, de justiça e de liberdade.
E essa colheita é obra para o conjunto daqueles povos que estão com fome. Então,
UNI - VOS !!
(Diário do Bardo – Joyce Pires)
Em Salinas outra vez
Em Salinas, sem luz elétrica
Sem água encanada
A casa destroçada pelos ladrões
Mas com a comunidade (sem o Estado)
Com certeza vou recomeçar a viver aqui
Mais uma vez
Cumprindo o Dharma.
É quase como em 72
Quando comecei a construir a casa
E o galpão, agora no chão...
Um novo ciclo, retelhar a casa
Sem as heras
Recuperar o fogão à lenha
Pintar as paredes, caiar
Consertar a varanda detrás
Que desabou o telhado
Limpar a casa
E secar o piso
E viver em liberdade
Sem os tiranos e suas manias !
Diário do Bardo - Joyce Pires – 30 dezembro 2008
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